por Guilherme Freitas
internacional@blogdacomunicacao.com.br
O segundo turno das eleições presidenciais no Uruguai ocorre no próximo dia 29 de novembro. Dois candidatos estão na disputa: o ex-presidente Luis Alberto Lacalle (1990-1995), do Partido Colorado e o senador José Mujica, do Partido Frente Ampla. Mujica terminou o primeiro turno com 47,9% dos votos e o grande favorito para vencer a eleição. A história de Mujica se assemelha a do presidente do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva. Mujica foi militante radical e guerrilheiro de esquerda, foi preso e perseguido pela ditadura no Uruguai e não conta com a simpatia da elite do país.
José Alberto Mujica Cordano nasceu em Montevidéu, no dia 20 de maio de 1934. Antes de militar com a guerrilha armada Movimento de Libertação Nacional-Tupamaros, era agricultor. Durante seu período no movimento foi perseguido pela ditadura militar e chegou ficar 14 anos preso. Depois entrou para política e desde então já foi deputado, ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca e no momento é senador. Mujica é o candidato a sucessão do presidente Tabaré Vázquez, também do Partido Frente Ampla. Porém a relação entre eles é fria.
Vázques demorou para apoiar seu sucessor e só o fez as vésperas do 1º turno. Mujica sempre foi um político radical de esquerda e não é raro alguns uruguaios de direita o chamarem de terrorista. Após anunciar sua candidatura a presidência passou a ser mais maleável e adepto ao diálogo com a mídia e a oposição. Começou então a se vestir de maneira mais elegante e a cuidar do visual, já que era comum vê-lo em público totalmente desleixado. Assim como Lula, Mujica viu que seria impossível se eleger presidente se continuasse a ser um radical de extrema-esquerda. Por isso, deixou o radicalismo de lado e agora busca apoio dos partidos derrotados no 1º turno.
O Uruguai tem 3,3 milhões habitantes e um PIB estimado em US$ 37,267 bilhões. O país também se destaca por ser um dos mais desenvolvidos da região (está em 50º lugar no ranking de IDH, 25 posições à frente do Brasil) e por ter sido o primeiro a oficializar o casamento de pessoas do mesmo sexo em 2007. A Constituição Uruguaia não permite a reeleição e o próximo presidente terá mandato válido até 2015.