Por Henrique Oliveira
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Há cinco anos atrás o Brasil se estarrecia com um dos maiores escândalos de corrupção da nossa história recente: o então Ministro da casa Civil, José Dirceu, comandou um esquema de desvio de verbas que beneficiou algumas dezenas de deputados. Com verbas desviadas pelo publicitário Marcos Valério através de empresas estatais com as quais a sua empresa tinha contrato, parlamentares ligados ao governo Lula se locupletaram com dinheiro ilegal (dinheiro este que, não esqueçamos, foi escondido e transportado até nas cuecas dos políticos).
Naquela época alguns políticos, ditos defensores da ética, saltaram ferozmente para atacar os colegas envolvidos na maracutaia: José Dirceu perdeu seu cargo e foi execrado pela opinião pública. O presidente Lula e o PT sofreram, talvez, a maior pressão das suas duas presidências, sendo o presidente pressionado até por uma pretensa (mas muito distante) destituição. O “mensalão” de José Dirceu e Cia. foi um prato cheio nas mãos de oportunistas que querem enganar o povo criando uma imagem de honestidade que, simplesmente, não existe. Políticos sem nenhuma idoneidade costumam usar uma verdadeira pele de cordoeiro em busca de votos e de poder. Vejam, por exemplo, este vídeo:

O partido dos Democratas e seus caciques são a prova de que a política brasileira está submersa num rio negro de hipocrisias. Nestes últimos dias o governador do Distrito Federal José Roberto Arruda – que em 2001 já tinha sido envolvido no escândalo da violação do painel eletrônico do Senado - provou que aqui, corrupção se paga com corrupção: aqui nada se vê e todo mundo é santo. Porque aqui, infelizmente, impera a política do ganho fácil e da cara-de-pau. Quem ontem dizia com eloquência ser integrante do grupo veementemente contra o “mensalão”, hoje protagoniza um esquema idêntico. No chamado “mensalão dos democratas” este mesmo governador, aparentemente tão polido e honesto, aparece em imagens onde também recebe dinheiro ilegal. Vejam:

O escândalo do “mensalão dos democratas” explodiu na última quinta-feira, quando os escritórios e residências do atual governador do DF foram devassados pela Polícia Federal (PF) em busca de mais provas e ou evidencias para a então investigação secreta. Segundo declarações da própria PF, o esquema foi denunciado por Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do governo de Arruda. “Durval contou à polícia e ao Ministério Público que o esquema teria começado ainda no governo passado, de Joaquim Roriz. Em um vídeo, gravado em agosto de 2006, José Roberto Arruda, então candidato a governador, aparece recebendo R$ 50 mil das mãos de Durval Barbosa. [...] Um outro vídeo, gravado em 2006, mostra o atual presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Leonardo Prudente, dos Democratas, recebendo vários maços de dinheiro. Ele vai enchendo os bolsos um a um. E quando não há mais espaço, coloca uma parte nas meias” (fonte: G1).
Como pudemos então perceber, José Roberto Arruda, único governador eleito pelos Democratas nas últimas eleições, assim como muito políticos do nosso país, é um demagogo profissional. Na frente das câmeras e nos palanques é o homem mais honesto e correto que existe. Atrás delas, porém, é mais um oportunista que usa da retórica para engabelar o nosso povo. O vídeo que mostra o governador recebendo propina nada mais é do que um retrato do ponto caótico ao qual nossa política está chegando. Depois dos escândalos sucessivos no Congresso nacional, um dos principais governadores do principal partido de “oposição” ao governo é protagonista de uma sórdida trama corrupta. Com tanta sujeira, será que chegamos ao fundo do poço? Será que ainda teremos escolha nestas próximas eleições?
As respostas para as perguntas acima, somente nós, enquanto poder popular, é que poderemos escrever. No entanto, o que claramente dá para perceber é que, mais do que nunca, necessitamos “exorcizar” figuras como essas dos nossos governos. Não dá mais para conviver com escândalos desse porte. O nosso cenário político precisa de uma “faxina geral”, e só o povo a poderá fazer em 2010. Petistas, democratas, peemedebistas e outros grupos políticos vêm nos demonstrando, há muito, que são especialistas em marketing e em confeccionar esquemas. Resta-nos reagir ou vergonhosamente aceitar. E então, o que escolheremos?