nov 2009 21

Por Maísa Capobiango

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Você pode ter 20, 30, 40 ou 70 anos, não importa. Tenho certeza de que, alguma vez na vida, já ouviu alguém cantarolar por aí os versos “Sabiá lá na gaiola fez um buraquinho/ Voou, voou, voou, voou/E a menina que gostava tanto do bichinho/Chorou, chorou, chorou, chorou…”. Ou, então, já assistiu, mesmo que pela TV, o concurso de Miss Brasil e escutou a canção tema, que embala aquele famoso ‘tchauzinho de miss’: “Os Estados brasileiros se apresentam/Nesta festa de alegria e esplendor…”. A pergunta é: Você sabe de quem são essas músicas? Sabe na voz de quem elas foram sucesso?

A primeira é uma composição de Hervê Cordovil e Mário Vieira e ficou eternizada na voz da Rainha do Baião, Carmélia Alves. Já, a “Canção das Misses”, de Lourival Faissal, virou marca registrada da cantora Ellen de Lima. Você pode estar se perguntando “que importância tem isso?” ou “o que muda na minha vida saber essas coisas?”. É justamente esse o problema. A maioria das pessoas, hoje, ignora a existência dos ídolos do passado. Eles são condenados a ficarem atrás de uma cortina que não se abre. São colocados em um ponto estratégico, em fiquem distantes da memória do público.

Se Carmélia e Ellen são apenas dois exemplos, o que dizer de nomes como Emilinha Borba, Marlene, Dalva de Oliveira, Orlando Silva, Nelson Gonçalves, Aracy de Almeida[bb], Isaurinha Garcia, Tito Madi, Doris Monteiro? Os jovens não têm, sequer, a oportunidade de decidir se gostam ou se querem ou não conhecer a base da música que é feita hoje porque nada disso chega até eles.

O que consola é saber que ainda existem louváveis tentativas de construção da memória. Uma delas é o documentário “Cantoras do Rádio”, dirigido pelo paranaense Gil Baroni. Ainda que não tenha o alcance devido, é certo que, pelo menos uma meia dúzia de jovens interessados em conhecer verdadeiramente a história musical do nosso país, vai assistir e fazer justiça ao trabalho de pesquisa e resgate que o filme apresenta. Nele, Carmélia Alves, Carminha Mascarenhas, Ellen de Lima e Violeta Cavalcanti falam de suas carreiras, enquanto homenageiam outras 10 divas da Era de Ouro do rádio. “Cantoras do Rádio” teve estreia pouco divulgada e, em algumas capitais, até já saiu de cartaz. No entanto, deve ser lançado em DVD no início de 2010 e a torcida é para que a situação seja revertida e esse material se torne mais um símbolo do grito de resistência de toda uma geração.

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fev 2009 12

A MÚSICA É AMIGA6

Escrito por Leandro Pereira | Postado em Entretenimento & Cultura | Tags: , , , , ,

Por Leandro Alves
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Foi o psicólogo Jocimar Bernadino quem me disse pela primeira vez esta belíssima metáfora. Eu sempre senti este clima de cumplicidade entre os meus ouvidos e as canções que fazem parte da minha trilha sonora, mas ainda não havia encontrado palavras para verbalizar minha emoção. É música é sim, uma amiga. Ela está sempre por perto, quer seja nos momentos de alegria ou amargura. Através dela sabemos segredos íntimos de outras pessoas, a música também parece nos conhecer como ninguém no mundo. Ela grita ao mundo nossos segredos, nas letras, melodias ou na tonalidade da voz de um grande intérprete. Este foi o meu sentimento diante do espetáculo “Inclassificáveis” do Ney Matogrosso.

Segundo o cantor a proposta do show, agora lançado em DVD é fazer um comentário sobre a realidade atual. É um comentário coerente e atual. As letras são de uma poesia ousada e sem perder o requinte e com uma temática eclética que fala do envelhecer com sabedoria, de desejo, saudade, do cotidiano. Tudo de forma lúdica e envolvente. A direção musical é de Emilio Carreira, do Secos e Molhados, a direção de cena do próprio Ney Matogrosso, o cenário de Milton Cunha, a produção de João Mario Linhares. Gravado no Canecão no Rio de Janeiro em 2008, o espetáculo correrá por todo o país em 2009 com beleza e um toque de qualidade próprio de Ney Matogrosso.

Ao contrário das outras apresentações, o show “Inclassificáveis” foi idealizado a partir do figurino. Vale lembrar que aquela troca de roupa no palco exige de Ney Matogrosso horas de ensaio. A base é uma segunda pele dourada e outra tatuada. A partir daí ele alterna acessórios para a cabeça, pescoço. E tudo no intervalo de uma música e outra. As roupas também carregam toda uma história e significado especial. A segunda pele dourada, por exemplo, é inspirada nos reis Incas que, em datas específicas, iam para o lago Titicaca e mergulhavam nus com ouro em pó grudado no corpo para ofertá-lo aos seus deuses.

Ney Matogrosso amadureceu, assumiu da direção cênica de todos os seus espetáculos, participa de todo o processo de criação desde a escolha do figurino a do repertório. É um ser capaz de ter autocrítica com a própria carreira, pois percorreu a trajetória da música popular brasileira e sabe se atualizar sem perder e originalidade. Ao assistir o show “Inclassificáveis” temos também a oportunidade de participar do contexto das canções. No Making Off cada compositor fala um pouco das canções de sua autoria e da parceria com o intérprete. Entre eles estão Edu Lobo, Chico Buarque, Alice Ruiz, Itamar Assunção, Arnaldo Antunes, Cláudio Monjobe e Carlos Reno.

Inclassificáveis é uma canção de Arnaldo Antunes que fala da diversidade de raças e crenças no Brasil. Além dela podemos citar “Ode aos ratos” de Edu Lobo e Chico Buarque, “O tempo não pára” de Cazuza e Arnaldo Brandão e “Ouça-me” de Itamar Assunção e Alice Ruiz. Ney Matogrosso exibe sabedoria, talento e é um artista imortal. É um disco de impacto e sensibilidade. Músicas que confortam e proporcionam ao ouvinte um prazer inigualável. Agora só me resta convidá-los para quatro minutos e quarenta e oito segundos de música.

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