jan 2011 23

Os editoriais serão publicados regularmente e estarão disponíveis na homepage do site e depois na aba “Editorial”, localizado no cabeçalho do blog. O editorial representa as ideias e opiniões dos editores e idealizadores do Blog da Comunicação: James Freitas e Guilherme Freitas. Boa leitura!

Corpos de vítimas da tragédia em Teresópolis – Crédito: Paulo Cezar/ Agência OGlobo

Olhem bem para a foto acima. Trata-se de alguns corpos das mais de 800 vítimas das fortes chuvas que desolaram a região serrana do Rio de Janeiro. Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis sofreram com a força das tempestades. Um mar de lama se formou e destruiu tudo pelo caminho, casas e vidas. O estado de São Paulo também foi afetado. A capital teve ruas alagadas em várias áreas. Atibaia e Franco da Rocha ficaram submersas. A pergunta que fica no ar é a seguinte: até quando vamos ver estas cenas que se repetem ano após anos?

Todos são culpados pelas tragédias no Rio e em São Paulo. É culpa da população que joga lixo na rua, entupindo os bueiros que ajudam para que as ruas alaguem. É culpa daqueles que despejam móveis antigos em qualquer esquina e dos demais que colocam o lixo fora do horário correto. E também daqueles que ignoram os avisos e constroem casa em áreas de risco. Não se pode negar que choveu demais, mais do que o previsto, porém a maior parcela de culpa é das autoridades.

Eles foram eleitos para zelar pela segurança da população. Ganham um bom salário e dispõe de dinheiro suficiente para melhorar a infra-estrutura das cidades (afinal investem milhões em publicidade própria). Nestas horas não podem se omitir e inventar desculpas esfarrapadas. O prefeito de São Paulo[bb] Gilberto Kassab (DEM) culpou as fortes chuvas e não assumiu o fracasso, dizendo que os piscinões funcionaram bem. Geraldo Alckmin (PSDB) assumiu o governo agora e disse que “nenhuma obra se conclui em 24 horas”. Mas não podemos esquecer que ele já havia sido governador antes e poderia ter feito algo.

Já o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB) tirou suas férias agora no início do ano, no mês mais crítico do estado quando as chuvas atingem seu ápice. Ele tem direito a uma licença como qualquer outra pessoa, porém, poderia folgar em outra época do ano não é mesmo? Além disso, o jornal Folha de S. Paulo noticiou que o governo fluminense foi alertado em 2008 sobre o risco de uma tragédia ambiental através de um estudo encomendado pelo próprio Estado e nada foi feito.

Ano passado a tragédia foi em Angra dos Reis[bb] e agora na região serrana. Entra ano e sai ano e a situação não muda. O poder público pouco faz nestas situações. Prometem melhoras, obras e a remoção de moradores em área de risco e não cumprem. As verbas para esta situação jamais são utilizadas e eles inventam desculpas. Parece ser um problema típico do Brasil. Basta ver como Portugal e Austrália se saíram bem após fortes chuvas, poupando muitas vidas. Há muito ainda a ser feito. Só não esperamos ver esta foto mais uma vez no início de 2012.

James Freitas e Guilherme Freitas
Editores e Idealizadores do Blog da Comunicação
blog@blogdacomunicacao.com.br
www.blogdacomunicacao.com.br

mar 2009 23

por Henrique Beirangê
mundodacomunicacao@blogdacomunicacao.com.br

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O brasileiro médio é corrupto? Platão dizia que o caráter dos políticos de uma república é reflexo da moral média de seus cidadãos. Será? Ser correto nos dias de hoje, pelo que parece, causa mais estranheza que a desonestidade. Tem se tornado comum a espetacularização de pessoas que ao devolverem algo que não os pertence, ser manchete de jornais em todo o país e objeto de reportagens de telejornais em horário nobre. Passam a aparentar semideuses da moral.

Em entrevista ao diário de Natal o juiz federal Francisco Glauber Pessoa Alves, quando questionado se o Brasil é complacente com a improbidade administrativa, questão penal sobre a qual diariamente se debruça, disparou: “O brasileiro médio tem um senso de moral trôpego ou uma ‘‘meia-moral’’. O outro não pode se beneficiar do que é moralmente e/ou legalmente discutível, mas ele sim! Há sempre uma justificativa. Por exemplo, todos concordam que o concurso é a forma menos sujeita a erros para ingresso no serviço público e todos discordam do nepotismo, mas muita gente busca e exerce cargo público sem concurso, beneficiando-se de parentesco e conhecimento muito mais do que mérito”.

Outras evidências apontam para uma suposta endemia de distorção de conduta. Uma pesquisa recente do Ibope mostra que o eleitor brasileiro é tolerante com a corrupção. Os dados mostram que nada menos do que 69% dos eleitores admitem cometer pelo menos um tipo de ato ilícito entre 13 ilegalidades do cotidiano listadas pelo pesquisador. Pior, se tivessem oportunidade, 75% dos eleitores dizem que cometeriam ao menos um ato de corrupção entre os apresentados pelo instituto aos entrevistados. Já 40% dos eleitores brasileiros disseram que, se fossem eleitos, escolheriam familiares ou pessoas conhecidas para cargos de confiança, 18% mudariam de partido em troca de dinheiro ou cargos, 18% contratariam sem licitação empresas de parentes para prestar serviços públicos e 31% aproveitariam viagens oficiais para lazer próprio ou de familiares.

E para tristeza e fato motivador dessa pensata, divulguemos mais um episódio que não só escandaliza, mas leva a reflexões. Agaciel Maia, ex diretor geral do senado, afastado por não declarar um imóvel de R$5 milhões, foi ovacionado, por servidores do Senado que aos gritos pediam “Volta Agaciel, volta”, que segundo jornalistas presentes, enquanto era beijado e abraçado pelos manifestantes, erguia os braços em agradecimento aos “queridos amigos servidores”. Grave e preocupante.

E você caro colega internauta, é corrupto? Faça aqui o teste do UOL para saber se você é corrupto ou não.

*** Revisado por Ane Patrícia Flora

fev 2009 04
Crédito: Último Segundo

Crédito: Último Segundo

por James Freitas

james@blogdacomunicacao.com.br

Díficil alguém não ficar assustado ao ver cenas como as vistas em Paraisópolis na última segunda-feira, 2 de fevereiro, quando ouve confronto entre “manifestantes” e policiais militares formando-se uma verdadeira “Guerra urbana” que lembrou e muito os confrontos entre polícia e traficantes em morros do Rio de Janeiro. Vendo a comunidade repleta de carros, sacos de lixo e pneus incendiados a tropa de choque foi chamada para intervir no caso. A versão oficial divulgada pelos veículos de comunicação até então dão conta de que o protesto dos moradores deu-se em razão da morte de um foragido da justiça pela polícia no último domingo, 1 de fevereiro, numa fiscalização onde o morador morreu após trocar tiros com a polícia. Extra-oficialmente há quem diga que a ordem do motim partiu de dentro das penitenciárias do Estado porém até agora nada foi provado.

Se para o blogueiro que vos fala a situação é assustadora não tenho palavras para descrever os momentos de terror que homens, mulheres e crianças de bem foram submetidos na última segunda-feira. Assim sendo, procuramos o órgão que representa a sociedade da comunidade entrevistamos rapidamente Gilson Rodrigues, presidente da União dos Moradores de Paraisópolis responsável direto por diversas melhorias e investimentos que a região teve nos últimos anos para saber as consequências que este incidente pode causar para a população de Paraisópolis, confira:

James Freitas: Qual a sua posição sobre a ocupação da comunidade de Paraisópolis pela polícia militar?
Gilson Rodrigues: Não somos contra que a polícia cumpra o papel dela. Se ela avaliou que isso mantém a segurança dos moradores nós apoiamos. Só não queremos violência na comunidade, vinda de onde vier (polícia ou bandido). Esse conceito de segurança imediatista de ocupação não resolve o problema. Dá apenas uma sensação de segurança. Daqui alguns dias a polícia vai embora. Ficamos aqui.

JF: Como a união dos moradores de Paraisópolis pretende agir para evitar novos episódios como os de segunda?
GR: Vamos cobrar do governo ações concretas voltadas a prevenção deste tipo de ação a curto, médio e longo prazo. Isso se dá através de projetos de prevenção, educação e empregabilidade. A medida em que os jovens tem oportunidades não se envolvem com coisas erradas.

JF: Em qual momento a união dos moradores tomou ciência das dimensões do que estava acontecendo no local?
GR: Foi uma surpresa, a comunidade não esperava que isso pudesse acontecer. Nunca aconteceu algo parecido. Ficamos sabendo na hora quando já estava acontecendo.JF: Acredita que esse episódio pode denegrir a imagem da comunidade afastando investimentos tanto públicos quanto privados na região? Acredita que a sociedade mudará sua visão sobre a comunidade de Paraisópolis?
GR: Não. Acho que prejudicou a comunidade mas as pessoas que já atuam na comunidade sabe que essa não é uma ação caracteristica da comunidade. Costumamos nos organizar sim para buscar solucionar os nossos problemas, mas não com violência. Sinto, principalmente do poder público e principalmente pela repercussão e a pressão da comunidade o poder público tende a investir mais. Se não o fizer vamos buscar e lutar para que isso aconteça. Com relação a pessoas e empresas privadas estamos buscando envolver toda a sociedade para resolver o problema. Não adianta ficar apontando, reclamando de braços cruzados e dizer “para isso que pago meus impostos”. Pague os impostos, mas ajude. Você pode fazer a diferença.

 

E você caro internauta? O que achou das cenas vistas na última segunda? Vocês acreditam que a imagem da comunidade será arranhada com este episódio? Vocês acreditam que a sociedade pode fazer a diferença?

Opine, sugira, critique…e o mais importante: PARTICIPE!  O espaço agora é de vocês….