ago 2010 27

por Henrique Oliveira
autosemotos@blogdacomunicacao.com.br

O Carro híbrido "Prius", da fabricante Toyota, terá sua produção intensificada nos proximos anos. Um norte? Imagem: www.treehugger.com

Um dos grandes desafios da modernidade (para alguns pós-modernidade) é adequar a voracidade do  sistema capitalista á sobrevivência da raça humana. Isso mesmo. Não é exagero. O nosso sistema de consumo e de produção de mercadorias  é sabidamente devastador: em nome do bem das nossas compras e das ditas “nova necessidades”, nós estamos maltratando de maneira incrível o nosso planeta. Todos os dias, por exemplo, a frota de automóveis cresce numa frenética progressão geométrica nas grandes cidades. A indústria automotiva é a que mais consome água em muitos países – sem contar toda a poluição do ar que gera. E tudo por quê? Porque não podemos mais viver sem carro. Porque o transporte público em inúmeras cidades simplesmente é um caos e, óbvio, também porque o carro se tornou um símbolo de status, de ascensão social.

Então, em épocas de aquecimento global, desequilíbrios ambientais e impactos sobre a nossa biodiversidade, nada mais salutar do que um a tentativa de se caminhar para soluções sustentáveis de consumo. Não que as indústrias sejam as “porta-vozes da salvação do mundo”, mas, se elas se engajarem, estimuladas por um consumo mais exigente, em produzir tecnologias mais limpas e investirem nisso, não tenham dúvida, já estaremos dando um grande passo para uma melhoria real.

Ontem, por exemplo, uma notícia veiculada no site da “Quatro Rodas” anunciou que a montadora Toyota está rumando para atingir a marca da fabricação e comercialização de 5 milhões de carros híbridos até 2015. Segundo o site, “a marca, pioneira em veículos híbridos, já comercializou mais de 2,68 milhões de carros que combinam combustível com motor elétrico desde o lançamento do primeiro modelo, em 1997. Os modelos elétricos da Toyota, em especial o Prius, receberam incentivos no Japão no último ano com ajuda do governo graças a subsídios que favorecem os híbridos em relação a outros veículos”.

Os carros híbridos, como citado acima, funcionam combinando a energia proveniente dos combustíveis fósseis (gasolina, diesel, etc.) com energia elétrica. Nos modelos mais famosos – que são sensação entre os estadunidenses – essa eletricidade é obtida através da energia criada quando os freios do carro são usados. Essa energia é capturada por um sistema específico e armazenada numa bateria, que será utilizada no lugar do combustível fóssil sempre que possível. Com isso os automóveis queimam menos combustíveis e poluem significativamente menos o meio ambiente.

Outra coisa interessante, também, é que no Japão, como lemos acima, já existe um incentivo governamental para a produção em larga escala desses veículos. Em outras palavras se pode dizer que os carros híbridos entraram no cenário internacional para ser uma espécie de “elo” com a tecnologia limpa que com certeza virá para os automóveis do futuro. Podemos dizer, então, que os carros híbridos são, de fato, uma primeira alternativa para combatermos a poluição gerada pelos bilhões de automóveis que temos no planeta. Porém é preciso que a produção e a disseminação dessas máquinas sejam mais estimuladas. Porque não vai adiantar nada termos carros que poluem menos custando uma pequena fortuna…

jan 2010 19

Por João Paulo Denófrio

cidades@blogdacomunicacao.com.br

O aumento do nível dos poluentes na cidade de São Paulo pode até não ser novidade, mas o que chama a atenção nos dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) é que em 54 ocorrências a sujeira no ar era tanta que foi decretado estado de atenção. No ano passado, ocorreram 271 ultrapassagens do padrão aceitável para a saúde.  Em 2008, a barreira de ozônio foi quebrada 202 vezes, sendo que em 45 delas entrou em vigor o estado de atenção. A emissão de ozônio subiu 34%, na comparação entre estes dois últimos anos.

Capacidade de dispersão de poluentes em São Paulo está saturada

Apesar dos índices, a Cetesb apontou para uma estabilização, em geral, nos níveis de poluição em São Paulo. O órgão destaca a necessidade de investimentos principalmente em transporte limpo, como os biocombustíveis.  Um dos pontos fortes da prefeitura é o programa de inspeção veicular, iniciado em 2009, que obriga a medição dos níveis de poluentes lançados pelos carros da cidade. Os motoristas que se recusam a fazer o teste não conseguem licenciar o veículo.

Outro destaque da Cetesb é a urgência em reduzir a quantidade de carros nas ruas da maior metrópole brasileira, que atualmente conta com 6,7 milhões de veículos. Pesquisas recentes apontam que a capacidade dos ventos e do relevo de São Paulo para dispersar o ozônio está saturada. A substância causa sérios problemas respiratórios e até tumores. De acordos com cientistas da área, uma pessoa terá 10% mais chance de ter câncer do pulmão se morar em São Paulo, do que em outras cidades do país.

nov 2009 25

Por João Paulo Denófrio

meioambiente@blogdacomunicacao.com.br

O dado alarmante sobre o aquecimento de até 7 ºC no planeta foi feito por um grupo de especialistas do Instituto de Pesquisa sobre os Impactos do Clima de Potsdam, na Alemanha. O documento destaca a necessidade de rapidez e ações eficazes para frear o aquecimento global.  O alerta é feito antes da Cúpula da ONU sobre o Clima, marcada para dezembro, na Dinamarca.

Segundo o estudo, a temperatura da Terra poderá subir entre 2 ºC e 7 ºC até 2100 na comparação com o período pré-industrial. Portanto, a cada dia em que os países evitam se comprometer com o clima, a temperatura do planeta irá subir ainda mais.  Entre 1900 e 2008, houve um aumento de 40% na emissão do dióxido de carbono, principal causador do chamado “efeito estufa”.

Cúpula da ONU pretende definir novo tratado climático global

Cúpula da ONU pretende definir novo tratado climático global

Este tipo de pesquisa serve como forma de pressionar as 192 nações que vão discutir um acordo climático substituto do Protocolo de Kyoto, que expira em 2 anos. Entre os otimistas sobre o encontro, circula a notícia de que os Estados Unidos finalmente irão definir uma meta de corte nas emissões de poluentes. Já os pessimistas acreditam que os países poderão até discutir um tratado substituto de Kyoto, mas a assinatura de um novo acordo climático ficaria só para o fim de 2010.

A verdade é que ainda há muito desentendimento sobre as metas de redução de gases poluentes entre países ricos e em desenvolvimento, como o Brasil. Nos últimos meses, a ONU tem cobrado as nações a fim de que se dediquem a adotar medidas sérias para salvar o planeta. A decisão de ajudar o local em que vivemos está em nossas mãos e dos governantes.

set 2009 16

APRENDEREMOS A LIÇÃO?7

Escrito por Henrique Oliveira | Postado em Meio Ambiente | Tags: , , ,

por Henrique Oliveira
meioambiente@blogadacomunicacao.com.br

Quem mora em grandes cidades sabe. Todos os anos, especialmente durante o inverno, as pessoas sentem na pele os males da poluição do ar: doenças respiratórias crônicas, gripes e até problemas cardiovasculares costumam a se agravar em determinados períodos do ano, e a abarrotar os sistemas públicos de saúde. A poluição do ar nas grandes cidades, cada vez mais, se torna também um problema de saúde pública e os governos das grandes capitais começam se preocupar com o melhor trato desta parte essencial do nosso meio ambiente. Afinal, conforme um estudo produzido pelo Laboratório de Poluição da USP (Universidade de São Paulo) e divulgado pelo portal UOL notícias, são gastos R$ 14 por segundo (isso mesmo. Por segundo!) e R$ 459,2 milhões por ano, “para tratar sequelas respiratórias e cardiovasculares de vítimas do excesso de partícula fina – poluente da fumaça do óleo diesel.”

 Em outras palavras, a poluição exagerada do ar, além de agredir de maneira absurda o meio ambiente, vem causando um imenso prejuízo aos cofres públicos. Segundo a pesquisa citada acima, “além dos paulistas, respiram ar reprovado pelos padrões da Organização Mundial da Saúde (OMS) as regiões do Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Recife” (citação: UOL notícias). Ou seja, a poluição do ar vem crescendo rapidamente dos diferentes centros urbanos. E isso vem acarretando uma acentuada diminuição na qualidade de vida da população e o crescimento de problemas ambientais graves, como o aquecimento global. Vejam o vídeo:

Imagem de Amostra do You Tube

È preciso, então, que a sociedade entenda a realidade que ela vem ajudando a construir. O consumo exagerado, inconsequente, aliado à gana capitalista pela produção de mercadorias e pelo aumento do lucro, vem destruindo o nosso meio ambiente e adoecendo nossas gerações. Abrir os olhos para essa realidade é, antes de qualquer coisa, o primeiro passo para que iniciemos a luta pela melhoria das nossas condições de vida. Porque, no final de tudo isso, quem mais sofre com todas essas devastadoras consequências que vimos no vídeo, são as populações pobres, os agricultores, os segregados.

Precisamos ser mais sensíveis à degradação do nosso planeta. Mudanças na postura ambiental de muitos países já se podem sentir, mas de maneira ainda muito tímida. As ditas “grandes potências econômicas” ainda não conseguiram aliar o seu desenvolvimento industrial à padrões aceitáveis de emissões de poluentes. A explosão das vendas de carros movidos a combustível fóssil só faz aumentar e as alternativas parecem estar adormecidas diante do grande público consumidor.

Hoje, no Brasil, por exemplo, o Pré-sal vem para trazer mais petróleo, gasolina, plástico, consumo… Resta saber o que faremos com tudo isso…

mar 2009 01

Por Ruither Ferrão

blog@blogdacomunicacao.com.br

Parece mesmo que as geleiras do Himalaia estão predestinadas a ir por água abaixo. Isso se a humanidade não der a sua contribuição para conter o aquecimento do planeta que tende a aumentar nas próximas décadas. Segundo especialistas, boa parte das montanhas que separam a China do sul asiático já está comprometida, devido ao aquecimento causado pelo efeito estufa.

A situação não poderia ser diferente aqui pelas bandas de Minas Gerais, afinal, os mineiros também têm uma parcela de culpa na emissão de gases poluentes no ar, o que faz com que façamos também parte dos grupos de combatentes a esse mal, cada país à sua maneira, cada indivíduo a seu modo.

Belo Horizonte tem hoje uma boa qualidade de ar, se comparado às demais capitais do país, conforme afirma Beverly Wen Yuh Liu, técnica da Divisão de Monitoramento e Geoprocessamento da FEAM (Fundação Estadual do Meio Ambiente). Segundo ela, a principal fonte de poluição do ar na capital são os veículos automotores.

As cidades de Contagem e Betim, na Região Metropolitana, possuem uma qualidade do ar muito inferior à de Belo Horizonte, devido às indústrias que ali operam e ainda pela direção do vento. “Os poluentes são tóxicos. Eles aumentam os riscos de doenças respiratórias, causam irritação nos olhos, no nariz e na pele. Além disso, deixam a cidade mais feia, mais suja”, alerta a técnica da FEAM.

Imponentes chaminés da extinta Itaú, construídas na década de 50 e preservadas pelo novo empreendimento.

Contagem sofreu muito com a descarga de poluentes por parte da fábrica de Cimento Itaú Portland, uma das principais indústrias que operou na região. A indústria funcionou de 1945 a 1973, quando foi fechada devido aos altos índices de poluição que causava, com conseqüentes danos à saúde da população. Depois de muitos anos abandonada, em 1998 a área onde funcionava a Itaú ganhou um novo projeto transformando-se, hoje, em um complexo comercial, incluindo um shopping center.
Delmino Rosales de Oliveira, 54 anos, aposentado, conta que, durante 24 anos, foi motorista de ônibus em Belo Horizonte, sendo a metade desse tempo na região da Cidade Industrial. Segundo ele, há alguns meses começou a sentir fortes crises de tosse. O problema foi se agravando a ponto de ele perder o sentido várias vezes.

Em busca de atendimento médico, Delmino esteve no Hospital Odilon Behrens que o mandou para o Upa Venda Nova, onde aguardou por várias horas e também não conseguiu ser atendido.

Sem outra saída, ele procurou um médico particular que solicitou uma bateria de exames. Um desses exames detectou obstrução em uma narina e falta de oxigênio no pulmão. As causas do problema, segundo seu médico, são conseqüências da poluição, pelo fato de Delmino ter trabalhado vários anos em região altamente poluidora. Ele comenta sobre a fábrica de cimento Itaú, que era uma das grandes responsáveis pela poluição naquele tempo. “Os canteiros de hortaliça ficavam cobertos de um pó branco que colava”, recorda.


Delmino sofre as conseqüências da poluição até hoje

Há algumas décadas as indústrias eram menos fiscalizadas e, portanto, não se preocupavam com a questão da poluição ambiental. Com o passar do tempo a situação se agravou e foi necessário que se tomassem medidas de punição contra os responsáveis pela degradação do meio ambiente. Grandes poluidores como a Magnesita e a Mannesmann foram obrigadas a instalar filtros em suas chaminés para minimizar o problema.

Claro que os filtros não foram uma solução definitiva. No entanto, as altas multas aplicadas por desrespeito às leis ambientais fizeram com que as indústrias ficassem mais atentas e, pelo menos, tentassem diminuir os índices de gases poluentes que, além de degradar o ambiente, causam sérios riscos à saúde da população. Quem passa hoje na região da Cidade Industrial ainda sente o ar poluído, porém, se comparar ao passado, é possível notar uma menor concentração de poluição na região.

Ao fundo, discretas chaminés da Mannesmann ainda insistem em contaminar o ar

Os automóveis também estão entre os principais responsáveis pela poluição do ar. Ao queimar o combustível, eles eliminam gases como o monóxido de carbono e óxido de enxofre, dentre outros, e, com isso, provocam sérios danos ao meio ambiente. Existem ainda alguns motoristas que insistem em trafegar pelas ruas da cidade com seus veículos desregulados, o que faz aumentar ainda mais o índice de poluição.

Caio Marcio Souza de Castro Silva, fiscal da Bhtrans. (Estação BHBUS Venda Nova) diz que a punição para os donos de veículos que trafegam com níveis de poluição acima do estabelecido é baseada no Código Nacional de Trânsito de número 681-5, artigo 231 III, resolução n° 510/77. O infrator está sujeito a pagar uma multa no valor de R$ 127,69 e tem cinco pontos acumulados na carteira, sem contar que o veículo poderá ser retido até que se regularize o problema. Caio explica que somente em casos de blitz poderão ser aplicadas estas penalidades e que é necessário fazer um boletim de ocorrência.

Quem circula pelas ruas e avenidas de Belo Horizonte e da Região Metropolitana depara com outro problema muito grave que incomoda a todos. Ônibus circulando com problema na válvula injetora, o que faz com que uma fumaça negra seja despejada no ar, contagiando todo o ambiente. Neste caso, segundo o agente da Bhtrans, a empresa responsável pelo veículo é notificada e tem um prazo para solucionar o problema.

ônibus com válvula injetora desregulada circula normalmente pela cidade

Para o jornalista Eduardo Ferrari o aquecimento global atinge todos os cantos da terra de maneira visível e a capital mineira já sente os sintomas desse mal. Segundo ele, estudos médicos elegeram Belo Horizonte por muito tempo como a melhor cidade do país para tratamento de doenças respiratórias, justamente por ter um clima equilibrado.

Hoje tudo mudou. “Seu clima simplesmente enlouqueceu. O inverno dura apenas duas semanas. O calor aumentou. O ar se tornou seco. As enchentes tornaram áreas de risco as serras que cercam a capital. Doenças respiratórias atacam crianças e adultos”, lamenta.

Resta , portanto, a cada um de nós,  fazer a sua parte para o bem do planeta!

Fotos de Ruither Ferrão

fev 2009 03

 

Por João Paulo Denófrio

joaopaulo@blogdacomunicacao.com.br

 

Pesquisadores britânicos chegaram a conclusão de que ar limpo também eleva a expectativa de vida. Segundo eles, cada diminuição de 10 microgramas de partículas poluidoras por metro cúbico de ar está associada a um aumento de mais de cinco meses de vida. Os especialistas da Universidade de Brigham, no Reino Unido, examinaram os efeitos da poluição em 51 metrópoles, comparando as melhorias do início dos anos 80 até o fim dos 90.

 

POLUIÇÃO EM PEQUIM - CRÉDITO: DIVULGAÇÃO

POLUIÇÃO EM PEQUIM - CRÉDITO: DIVULGAÇÃO

O estudo, publicado no “The New England Journal of Medicine”, indica ainda que os esforços das autoridades tiveram efeito. Veículos com catalisadores e controle na emissão de gases pelas empresas estão entre as medidas adotadas nas últimas décadas para baixar os níveis de poluição. Alguns pesquisadores acreditam que, para melhorar ainda mais a saúde, o jeito seria deixar as grandes cidades e viver no interior. Alimentação saudável e exercícios físicos já não bastam mais para garantir uma vida em bem-estar.