DE OLHO NOS GASTOS PÚBLICOS!3
Escrito por Editores | Postado em Editorial | Tags: Copa 2014, Editorail BGC, Folha de S. Paulo, Orlando Silva, Pan-2007, Rio-2016
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A capa da Folha de S. Paulo da semana passada exibia como manchete principal: “Copa no Brasil em 2014 já custa mais que África-2010”. Nada de tão surpreendente assim, tratando-se do histórico de altos gastos na realização de megaeventos no país e do grande estouro no orçamento dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro em 2007. A Copa do Mundo de 2104 e os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, serão ótimos eventos para a projeção do Brasil no cenário internacional. Porém, ao mesmo tempo será a glória para cartolas, políticos e empreiteiras, que poderão abusar dos gastos caso não entre em vigor uma fiscalização de controle eficiente.
O ministro dos esportes Orlando Silva (PCdoB) afirmou que duvida que os africanos vão gastar menos que o Brasil, mas o ministro esquece de olhar a retaguarda. Infelizmente as autoridades brasileiras não têm o menor pudor quando se está em jogo verba pública. Além de tudo que ocorreu nas obras dos Jogos Pan-Americanos do Rio, os políticos brasileiros como um todo (raros mocinhos e muitos vilões) são famosos pelos altos números de escândalos de corrupção. Não adianta erguer modernos estádios para depois os deixarem fechados. É preciso deixar um legado para as cidades-sedes. E este legado não é só uma arena, e sim melhorias no transporte público, hotelaria, segurança e educação.
Recentemente, o jornal americano The New York Times, publicou uma reportagem sobre a situação do majestoso estádio Ninho do Pássaro, palco principal dos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008. Totalmente abandonado, o estádio está sendo aberto apenas para visita de turistas estrangeiros que pagam por isso e ainda podem comprar souvenirs nas lojas do estádio. Graças aos altos custos para manter a arena, o principal time de futebol da cidade não quis ficar com o estádio. Assim como modernas arenas erguidas no Rio de Janeiro para o Pan-2007, o Ninho de Pássaro não passa de um grande elefante branco na paisagem de Pequim.
A sociedade não pode ficar calada e tem que cobrar as autoridades sobre a verba gasta nestes dois grandes eventos. Será impossível fazer uma Copa e uma Olimpíada sem gastar dinheiro público, porém é preciso haver um controle. O COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) na condição de órgãos máximos do esporte olímpico e do futebol, respectivamente, também precisam ser fiscalizados e cobrados. O Brasil não tem luxos para gastar tanto dinheiro público. No futuro esse dinheiro pode fazer falta.
James Freitas e Guilherme Freitas
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