nov 2011 15

por Guilherme Freitas
cidades@blogdacomunicacao.com.br

A maior favela do Rio de Janeiro[bb] foi ocupada em apenas duas horas pela polícia. Anunciada há quase um ano a operação foi executada com sucesso e a polícia conseguiu tomar o controle da Rocinha, além do Vidigal e Chácara do Céu outras favelas da zona sul carioca. Muitos traficantes foram detidos, entre eles Nem, o chefe do tráfico na Rocinha dias antes da invasão. Ele foi preso no porta-malas de um carro próximo a comunidade. Cerca de três mil homens participaram da operação e nenhum tiro foi disparado.

Mais uma favela foi ocupada e o governo prometeu levar paz e cidadania a população local. Mas o que será que vem pela frente? Como melhorar a relação da polícia com os moradores da favela? Alguns moradores já revelaram não confiar totalmente nos homens de farda. Temem que ocorra o mesmo que aconteceu na invasão ao Complexo do Alemão, quando policiais saquearam casas e esculacharam moradores. Além disso, Nem era bem visto pela comunidade da Rocinha, pois ajudava os moradores e auxiliava em trabalhos sociais, coisa que o governo do Rio pouco fez até então.

Vista da favela da Rocinha - Crédito: Alexandre Bernardo

Pelos depoimentos colhidos de moradores até agora a polícia não cometeu abusos em suas incursões sobre a favela. Sabem que se começarem a roubar e humilhar moradores serão condenados pela opinião pública e perderão o, já pouco, respeito que têm. Mas o governo do Rio terá que trabalhar também para integrar a favela a sociedade carioca e oferecer serviços decente para os moradores que vivem na Rocinha, como saúde, educação e lazer.

Nos dias que se sucederam a ocupação da Rocinha[bb], a polícia começou a achar rastros de traficantes. Até o momento já foram apreendidos centenas de armas (entre elas pistolas, fuzis, metralhadoras), milhares de munições, dezenas bombas, máquinas caça-níqueis, quilos de drogas e até duas bazucas. Aos poucos a polícia vai desmontando a organização do tráfico. A guerra contra o tráfico é dura e parece ser uma batalha que não pode ser vencida. Mas não custa torcer para aos poucos o país ir se livrando do tráfico de drogas e dos traficantes. Torço pelo sucesso da operação e pela paz na Cidade Maravilhosa.

jul 2011 14

por Guilherme Freitas
educacao@blogdacomunicacao.com.br

Uma boa notícia para estudantes de Comunicação e comunicadores também. O Instituto de Gestão e Comunicação (IGEC) fez uma parceria com a FACHA (Faculdades Integradas Hélio Alonso) e irá promover em setembro o curso de pós-graduação em Gestão Estratégica da Comunicação. O maior objetivo deste curso é formar profissionais capazes de atuar na área da comunicação de maneira integrada, como por exemplo, relações públicas, propaganda, marketing e jornalismo.

O curso tem a coordenação do professor Rodrigo Goecks, Mestre em Administração e com mais de dez anos de experiência em gestão e duração de 360 horas (aproximadamente 15 meses). A pós em Gestão Estratégica da Comunicação vai abordar as seguintes matérias: Assessoria de Imprensa, Mídia Training, Marketing de Guerrilha, Planejamento Estratégico, Comunicação no PDV, entre outras. Os ex-alunos da FACHA terão desconto na mensalidade.

SERVIÇO
Aulas:
2ª e 4ª, das 19h até 22h, no centro do Rio de Janeiro.
Valor: R$ 9.086,00, que pode ser parcelado em 25 vezes de R$ 363,44.
Inscrições: pelo site www.igec.com.br ou pelos telefones: (21) 4063-5093/3029-1171.

Dica da pauta: Claudio Moreira, do Instituto de Gestão e Comunicação

abr 2011 07

por Victor Oliveira

comportamento@blogdacomunicacao.com.br

O acontecimento de tragédias como a que ocorreu na escola do Realengo, no Rio de Janeiro, com diversas crianças mortas com arma de fogo, provocam discussões acaloradas sobre diversos pontos. Independente das outras questões, como desvios de personalidade, falta de segurança nos estabelecimentos públicos (principalmente os da periferia), um assunto que deve, ou deveria, ser amplamente debatido neste momento é a questão das armas em nosso país. Uma discussão profunda, não debates vagos como os que ocorreram quando da aplicação do Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/03).

Este Estatuto perdeu a chance de se tornar um marco no enfrentamento da violência, ou em parte dela, no Brasil. Uma lei que poderia ser firme na questão da propriedade de armamento de fogo, se deixou levar por questões menores, influenciadas, sobretudo, por lobby da indústria armamentista no país. Para começar a série de falhas nesta lei, é preciso falar do referendo proposto para discutir o acesso às armas. Com um gasto total de cerca de 600 milhões de reais na organização do referendo, o país foi incitado a votar se queria ou não a venda de armas e munições e, após muita propaganda a favor da indústria bélica, a maioria optou pela continuidade do comércio.

Uma fortuna que poderia ser alocada em outros pontos sensíveis, como educação e saúde, ou mesmo na segurança pública, foi gasta em um referendo no qual nada se explicou a uma população pouco esclarecida sobre o assunto. Independente do resultado, o que o país queria, e ainda quer, é que o acesso às armas de fogo seja limitado e controlado pelo Estado. Ainda que o comércio seja feito nos moldes anteriores, é preciso que estas armas cheguem apenas nas mãos de quem realmente precisa.

Entendo o argumento de que o povo deve ter o direito de se defender, ainda mais em um momento em que a violência aparece cada vez mais no cotidiano. É lamentável uma casa ser invadida por bandidos e um pai de família não poder se defender a contento. Do mesmo modo, o argumento de que bandidos se sentem mais seguros quando sabem que os alvos de assaltos quase nunca poderão reagir também é válido. Acontece que a segurança pública deve ser como o nome diz, ou seja, pública, responsabilidade estrita do Estado, que deve agir com pulso firme, fornecendo a segurança que o povo necessita, no momento em que precisa. Esta responsabilidade não deve ser transferida à população. Ainda moramos em um país regulado por leis e, quer queira ou não, elas devem ser respeitadas, tanto por parte do povo quanto, principalmente, por parte do Estado.

Ainda falando do Estatuto de Desarmamento, vejo uma fragilidade muito grande quando o mesmo trata dos crimes referentes ao porte e a posse de armas de fogo. Desconfio sinceramente das intenções de uma pessoa comum que anda com uma arma. Ainda que ela tenha em mente apenas a sensação de segurança, o simples ato de estar armada a coloca como potencial criminoso e potencial vítima de crimes mais graves, que não ocorreriam caso ela estivesse desarmada. A chance de ocorrer um incidente envolvendo esta arma é potencializada, quer seja numa briga de trânsito, numa discussão de bar, enfim, com uma arma na cintura, é possível que simples desentendimentos se transformem em homicídios.

O crime de porte, por exemplo, que é aquela situação em que a pessoa traz consigo a arma de fogo, deixou de ser temido pelos criminosos. Isso porque o bendito Estatuto colocou como pena para este tipo de crime de dois a quatro anos de reclusão. Ainda que o crime seja inafiançável, esta pena é pequena, pois pode ser cumprida em regime semi aberto ou até mesmo aberto, dependendo dos antecedentes de quem o comete. Como uma pessoa anda armada pelas ruas, é presa e logo depois posta em liberdade? Que tipo de intimidação uma lei desta quer impor?

Não temos, em nosso país, a cultura armamentista, como acontece com os EUA, por exemplo. Aqui não se vendem armas em grandes redes, não é comum ver indivíduos desfilando com armas pelas ruas. Por tudo isso, é preciso que o país aprofunde as discussões sobre este tema. É preciso enfrentar o comércio ilegal de armas, mas também é preciso que as pessoas desautorizadas tenham medo da lei, saibam que a punição por estarem com uma arma de fogo de forma ilegal será pesada, se intimidem com a presença da polícia e deixem de portar e ter a posse de armas. A cultura de paz precisa prevalecer e o Estado precisa assumir com pulso forte, de vez, seu papel na Segurança Pública no Brasil.

É isso.

jan 2011 17

Por João Paulo Denófrio

politica@blogdacomunicacao.com.br

Apesar da postura bem reservada nas primeiras semanas, em comparação com outros presidentes, Dilma Rousseff tenta contornar vários problemas que já começaram a surgir. Na primeira semana de janeiro, foi preciso calma na distribuição de cargos públicos em Brasília. Houve desentendimentos entre o PT e o PMDB, mas nada que durasse muito tempo, afinal o novo governo não poderia iniciar o mandato rachado.

Na semana passada, enquanto liberava verbas após as chuvas que destruíram e alagaram Minas Gerais e São Paulo, a presidente Dilma se deparou com os mortos e a devastação na região serrana do Rio de Janeiro, o maior desastre climático da história do Brasil. Foi o momento dela deixar Brasília e visitar o local da catástrofe, além de autorizar a criação de um gabinete de emergência.

Dilma visita a região de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro - Crédito: Roberto Stuckert Filho/Presidência

Agora, de volta à capital nacional, Dilma Rousseff começa a semana tocando outro ponto polêmico: o corte de gastos públicos. A medida já havia sido anunciada por ela, quando ainda era candidata à Presidência.  Na primeira reunião ministerial, na última sexta-feira, a presidente determinou que todos os ministérios apresentem um plano de redução de gastos. Nem mesmo o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), “filho predileto” do ex-governo Lula e herdado por Dilma, deve escapar dos cortes.

As medidas para conter os gastos do governo não agradam nem mesmo a base aliada e, segundo os principais assessores da presidente Dilma, a ordem é “contar até três” quando ocorrerem brigas no Congresso e no Palácio do Planalto. Caso não haja solução para o embate, ela mesma irá mediar o impasse.

Em dezembro, o então presidente Lula até se propôs a anunciar alguns cortes em Brasília na tentativa de resguardar a imagem de Dilma Rousseff. Mas, parece que não houve jeito, a presidente terá que ter paciência e sangue frio para acalmar os ânimos nos corredores do Congresso. E olhe que os deputados e senadores estão em férias até fevereiro.

dez 2010 15

por Guilherme Freitas
politica@blogdacomunicacao.com.br

Pegando embalo na enquete desta semana, gostaria de escrever sobre o controverso Coronel Nascimento, personagem principal de Tropa de Elite 2 e interpretado brilhantemente por Wagner Moura. No primeiro filme, Nascimento é capitão do Bope. Sobe o morro, mata e tortura bandido, treina dois “aspiras” para serem seus sucessores e sofre com problemas na vida pessoal. Na sequência ele torna-se coronel, afasta-se do Bope, assume um cargo público na Secretaria de Segurança do Rio, bate de frente com o sistema corrupto e continua sofrendo dramas na vida pessoal. Para alguns ele é um herói brasileiro. Para outros um grande vilão. Para mim ele não é nenhum dos dois. É um pobre coitado, um ser humano infeliz em sua vida pessoal e consegue se destacar na vida profissional. É uma mais um personagem do nosso cotidiano.

Não acho que Nascimento seja um herói. Um verdadeiro herói não deve torturar e nem matar seus inimigos. Mas não é isso que assistimos nas telas do cinema. Rambo e Jack Bauer são considerados paladinos da justiça, porém não medem esforços para derrotar o adversário. São exemplos que para ser um herói, é preciso ser machão, forte e cruel. Mas na minha opinião, um verdadeiro herói deve ser como Gandhi, que lutou pelos seus ideais pacificamente. Porém, lutar pacificamente é um risco. E Gandhi pagou com a vida. Mas Nascimento também não é um vilão. Ele é um policial competente, dedicado e honesto. Mantém seus ideais de justiça e não tolera corrupção. Enfrenta sem medo os corruptos de terno e gravata e os bandidos do morro.

O controverso Capitão/Coronel Nascimento – Crédito: Reprodução

Um cena curiosa em Tropa 2 é quando Nascimento chega a uma fina churrascaria após uma ação do Bope, que culminou na morte de um perigoso marginal. Ele é aplaudido de pé pelas pessoas e fica até sem graça. Isso sempre acontece na vida real. Enquanto a classe média e a elite vibram quando a polícia mata algum traficante ou expulsa moradores de áreas invadidas, os mais pobres reclamam do abuso e truculência dos oficiais. É como quando Nascimento surra uma autoridade política na porta da casa deste. Isso jamais vai acontecer. Em casa de “bacana” a polícia entra com cuidado e com mandato. Em casa de pobre entra arrebentando a porta e quebrando tudo. É assim que funciona, e assim vai continuar.

A corrupção policial é uma realidade e duvido muito que vai terminar. As milícias mostram muito bem como é fácil ser seduzido por dinheiro fácil. Mesmo com aumento de salário e valorização, vai continuar havendo corrupção, propinas e tráfico de armas para bandidos. É preciso investir na raiz do problema, levando educação e saúde para comunidades carentes, combatendo a entrada de drogas que vem do exterior e cobrando os políticos. Só assim a situação pode começar a mudar.

Enquanto os parlamentares são agraciados com mais de 60% de aumento salarial, o povo continua na dura realidade da violência e da desigualdade social. Se não ocorrerem mudanças sérias, Tropa de Elite poderá render mais continuações e Nascimento continuará sendo alvo de artigos e crônicas.

dez 2010 12

Pegando carona no sucesso Tropa de Elite 2, que superou Dona Flor e Seus Dois Maridos como filme brasileiro mais assistido de todos os tempos nos cinema, a enquete desta semana quer saber a opinião de vocês caros leitores sobre o controverso Coronel Nascimento, personagem central do filme. Ele pode ser considerado um herói? Ou é um vilão? Responda a nova enquete do Blog da Comunicação, localizada na barra lateral a direita do seu monitor.

O Coronel Nascimento é herói ou vilão? – Crédito: Reprodução

RESULTADO – A última enquete perguntou aos leitores se o governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral estava certo em pedir a legalização das drogas leves a presidente eleita Dilma Rousseff. A maioria dos leitores, 55%, disse que sim e os demais 45% discordam da posição do governador.

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