por Júnior Batista
cidades@blogdacomunicacao.com.br
O Dia Internacional do Orgulho Gay é comemorado todos os anos, no dia 28 de Junho, desde 1969. Esse dia é o marco da revolta de vários gays no bar Stonewall, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. O bar era frequentado por vários grupos de LGBT, porém, esse grupo de pessoas era discriminado e violentado pelo fato de serem gays. Após muito tempo sofrendo represálias, vários LGBT resolveram fazer um ato de revolta que durou três dias, e assim, foi sancionado o Dia Internacional do Orgulho Gay como o dia em que não é necessário esconder sua sexualidade, não ter vergonha, nem ter medo de ser assassinado, ou violentado por conta da sexualidade.

- Vereador Carlos Apolinário (DEM-SP) foi o autor da lei (Foto: Roney Domingos/G1)
No mesmo mês em que é comemorado o Dia Internacional do Orgulho Gay, também acontece a Parada Gay, um evento político que conta com milhões de gays na cidade de São Paulo, precisamente na Avenida Paulista, feito para manifestar a favor dos direitos dessa minoria da população.
Ontem, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em votação simbólica, o projeto de Lei 294/2005, do vereador Carlos Apolinário (DEM), que institui na capital do Dia do Orgulho Heterossexual, a ser comemorado no terceiro domingo do mês de dezembro. Agora, o projeto depende da aprovação do prefeito Gilberto Kassab.
Dos 39 vereadores presentes, 19 se mostraram contra o projeto, mas mesmo assim, como a votação foi simbólica, o projeto foi aprovado. Apolinário justifica que, ao criar esse dia, não quer confrontar os gays, e sim, manifestar-se contra os excessos e privilégios que são dados aos gays. Na opinião dele, um dos excessos, seria a parada gay.
Excesso, segundo o dicionário da língua portuguesa, significa “aquilo que excede o normal, aquilo que sobra”. E para os gays, sobram ataques, violências, atentados, assassinatos. Também sobram preconceitos, surras e facismo. Excede o normal. O que seria normal? Em uma sociedade mesclada, como é a brasileira, o que poderia ser considerado normal? Temos negros, índios, brancos, amarelos, pardos; pessoas com descendência chinesa, japonesa, polonesa, portuguesa, francesa, africana, inglesa, alemã… Temos uma das maiores culturas do mundo e ainda assim, 55% dos brasileiros se mostram contra o casamento gay e um vereador acha que temos que ter uma Dia do Orgulho Hétero porque os gays têm muitos privilégios.
Que privilégios são esses? A vantagem de ter que sair nas ruas e se esconder? De não poder demonstrar o seu amor em público? De ter demonstrações de carinho vetadas nas emissoras brasileiras? Recentemente o SBT, do empresário Silvio Santos, mostrou, em primeira mão, um beijo gay.
A vantagem que os gays têm, também conta com agressões constantes – quase que diárias – na avenida mais importante da cidade, a Avenida Paulista. Instituir um Dia do Orgulho Hétero, é corrobar com o afronte que foi feito pelo vereador Carlos Apolinário e os rotineiros desrespeitos homofóbicos do Deputado Jair Bolsonaro.
Acordar com esse dia, é praticamente dizer que se os gays merecem um dia, nós também queremos. Não nos importamos com o que acontece com eles, nos importamos em preservar a família, a moral e os bons costumes. A família é uma instituição de amor, ela não define sexo, a moral é a ética presente em cada um, de acordo com as leis vigentes e o respeito. “Os bons costumes”, seriam criar um cidadão com esses valores que citei, não seriam? E por que um gay não pode ter esses valores? Por que um gay ou uma lésbica não pode ser um bom profissional, com ética e respeito?
O Dia do Orgulho Hétero só aprova todas as atrocidades que vem ocorrendo com essa população. Espero que não se crie um Dia do Orgulho Branco, Dia do Orgulho Pardo, Dia do Orgulho Pedófilo…