RADIOATIVIDADE: VOCÊ TEM MEDO?4
Escrito por João Paulo Denófrio | Postado em Saúde | Tags: Chernobyl, Japão, João Paulo Denófrio, nuclear, radioatividade, Saúde
Por João Paulo Denófrio
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O acidente nuclear em Fukushima, no Japão, causado pelo terremoto de 11 de março, trouxe à tona novos debates sobre usinas nucleares e todas as pesquisas baseadas nesse setor. Afinal, será que esse material é mais nocivo ou benéfico para o ser humano? Até que ponto é arriscado lidar com algo “nuclear”?
As últimas notícias sobre a tragédia dizem que o nível de iodo radioativo encontrado na água do mar, ao sul japonês, é quase 3.400 vezes maior que o limite legal. Segundo especialistas, essa radiação não representa riscos à população, pois se dissipa rapidamente. Acredita-se também que o material radioativo esteja escapando pelo ar, só que em pequenas proporções.
Autoridades do Japão e dos Estados Unidos voltaram a dizer que esses níveis de radiação não são nocivos à saúde. Mesmo assim, a população não usa água das torneiras e parte da população das cidades atingidas pelo acidente nuclear ainda não voltou para casa. Em entrevista à rede de TV americana CNN, o professor de psicologia, Richard John, explicou que é muito comum que as pessoas tenham mais medo do desconhecido, daquilo que ainda não tiveram um contato próximo. E, segundo ele, para a maioria, a energia nuclear e suas aplicações ainda são algo estranho e, portanto, temeroso.
É possível ir ainda mais afundo e investigar a origem do medo do “nuclear”. Pesquisadores afirmam que, na década de 1930, as pessoas já associavam a radioatividade a algo doloroso, que provoca uma morte horrível e aos cientistas malucos que tentavam controlar tudo isso. Se formos usar números para desmistificar esse medo da energia nuclear, aqui estão eles: 10 mil pessoas morreram de câncer devido ao acidente nuclear na usina de Chernobyl, o pior da história. Por outro lado, a poluição gerada pelas usinas termelétricas provocou mais de 13 mil mortes no ano passado, e sem mencionar os cerca de 20 mil mortos por ataques cardíacos todos os anos nos Estados Unidos.
Em níveis corretos, a radioatividade ajuda a salvar milhares de vidas nos tratamentos contra câncer e em inúmeros procedimentos médicos, como exames de raios-X e outras avaliações. A radiação é usada para “matar” as células cancerígenas e impedir sua multiplicação. Sendo assim, é preciso avançar nos tratamentos contra câncer com base no uso de radioatividade, como também são necessários mais debates sobre a segurança ao redor de usinas nucleares. Quando começarmos a enxergar a palavra “nuclear” como algo positivo, talvez seja possível descobrir novas aplicações e obter resultados mais importantes.


















