Por Maíra Mello
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No ICMC – Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, pesquisadores estão trabalhando para o desenvolvimento de uma solução computacional que permitirá que a interface de telefones celulares seja adaptada de acordo com as necessidades dos idosos.
FlexInterface é o nome do sistema, tendo como responsáveis o professor Jó Ueyama e Vinícius Gonçalves, ele detecta problemas de utilização e reconfigura a interface fazendo com que ele se adapte ao perfil do usuário.
Os pesquisadores acreditam que os celulares são em sua grande maioria desenvolvidos para o público jovem, enquanto os idosos, além de terem um perfil de utilização muito diferente, geralmente possuem restrições visuais e auditivas. A proposta é ter a interface se adaptando ao perfil de cada usuário. Para um usuário com déficit de visão, o sistema consegue detectar a ocorrência de três erros de digitação e disponibiliza uma fonte e um teclado maior para permitir a conclusão da tarefa, por exemplo.
Na pesquisa para o desenvolvimento do sistema já foi observado que há idosos de vários perfis, classes sociais e níveis de escolaridade. E perante a diversidade de requisitos apresentada por esses indivíduos, investiu-se em esforços para o desenvolvimento de soluções que contemplem o maior número possível de usuários.
Para que o projeto possa sair dos laboratórios, a professora Vânia Neris, que também compõe a equipe, firmou parceria com o Centro de Referência de Assistência Social, entidade que trabalha com idosos da cidade de São Carlos. Vânia coordena a avaliação do novo sistema, e assim os protótipos podem ser testados. Depois de o sistema ser totalmente testado, poderá ser usado não somente por pessoas na melhor idade, mas também, por qualquer pessoa que tenha alguma necessidade especial.
A empresa Ampli-Visão, especializada em oferecer auxílios óticos para pessoas com pouca visão, também está investindo no segmento e já trouxe para o Brasil um produto do gênero, que possui números gigantes e um botão SOS onde o usuário implanta quatro números de telefones. Em caso de emergência aperta-se o botão vermelho do aparelho e este vai chamar o primeiro numero implantado para avisar que o portador do celular está em apuros. Se o primeiro não atender, automaticamente ele chama o número seguinte e assim, consequentemente, até um deles atender. Nesse caso, na tela do celular chamado aparece um aviso de pedido de socorro.

Aparelho para usuários de baixa visão, da marca ZTE é criado pela Ampli-visão - Créditos: Reprodução
A expectativa de vida no Brasil tem aumentado significativamente, o que denota uma melhoria na qualidade de vida. Mas o país não se preparou para essa mudança, cada vez menos os idosos participam de atividades convencionais, ficando isolados dos avanços tecnológicos presentes em nosso dia-a-dia. Além de todos terem direito de acesso as mais variadas mudanças, deve-se levar em consideração que a terceira idade é um mercado em ascensão em nosso país, mas o potencial de consumo desse público ainda é mal explorado, e em processo bem lento esse aspecto está sendo notado. Mas uma coisa é certa, as empresas que investirem nesse segmento, oferecendo serviços e produtos diferenciados , com valor agregado ao público idoso, irão decolar!
Com 21 anos, Maíra Mello é graduada em Marketing pelo Centro Universitário de Belo Horizonte - UniBH, trabalha no Departamento de Computação da Universidade Federal de Ouro Preto e bloga sobre tecnologia no BGC. É agitada, antenada as novidades, apaixonada por comunicação, viciada em gente e em música eletrônica!
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