jul 2009 04

por Leandro Alves
entretenimento@blogdacomunicacao.com.br

“As pessoas estão certas quando dizem que suas vidas dariam um romance”, Clarice Lispector.

Uma voz que ganhou eco no circuito nacional. Uma mulher de garra, inteligente e com um profundo amor pelo cinema decide fazer um balanço da própria história ao escrever para o grande cineasta espanhol Pedro Almodóvar. Detalhe: a mulher se chama Maria Floricélia e é proveniente do Ceará, trabalha atualmente em São Paulo como manicura. Em seu relato ela narra que é órfã de pai e mãe e aprendeu a ler e a escrever sozinha. Disse para si mesma que dali iria embora com um circo ou com um homem: acabou partindo com um homem. E um homem casado. Maria, em tom de humor negro, confessou ao programa de Ana Maria Braga no dia 5 de maio de 2009 que se sente melhor como “outra” do que como esposa e que “boba” é a mulher que se casa.

Casou-se, no entanto, com um paulista que a levou para São Paulo onde hoje atua como manicura de mulheres como Fernanda Young e Marisa Orth que, comovidas, lhe proporcionaram um curso de superior de cinema. Foi lá que nasceu o roteiro de “Desobediência” que Fernanda Young aprovou dizendo que Maria é uma autêntica personagem de Almodóvar e que ela a recomendaria: o roteiro é muito bom. Para concretizar seu sonho, Maria enviou o texto para Madri aos cuidados de Pedro Almodóvar. O cineasta respondeu que no momento não estava interessado. O suposto fracasso fez com que ela voltasse ao computador e desse início a um novo “Lúcia bicicleta”, que narra à história de uma mulher que se envergonha das próprias origens e passa a mentir para conseguir seus ideais.

Maria é um exemplo de mulher forte e de fibra. Na semana em que vi a reportagem no programa mais você houve a coincidência da atitude de Maria suceder a morte de Augusto Boal ocorrida no dia 2 de maio de 2009. O espírito visionário da cearense incorpora o pensamento do teatrólogo no sentido do ser humano se assumir como ator da própria história e responsável por suas realizações.

“O Teatro do Oprimido é o teatro no sentido mais arcaico do termo. Todos os seres humanos são atores – porque atuam – e espectadores – porque observam. Somos todos ‘espectadores.”

O que esta história ensina para gente é que precisamos aprender a ver o Brasil com outros olhos. Olhos de alegria e de fé. O tempo urge para que nosso povo pare de olhar os menos favorecidos com pena. Fico pensando em quantos grandes artistas estão escondidos pela vida sob a égide da pobreza e do anonimato. Parabéns à Ana Maria Braga e sua equipe pela excepcional lição de vida. A mim não resta dúvida de que Maria vai conseguir seu intento. Será um baita espetáculo!

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Leandro Pereira

Leandro Pereira é escritor, nascido em Belo Horizonte. Escreve sobre cultura no Blog da Comunicação.

2 comentários

  1. James Freitas disse:

    Parabenss pelo post!
    Adorei a história da Maria!
    Mto bom msm!!! Concordo que existem diversos talentos ainda escondidos…ainda há muito a evoluir…mas o brasileiro está sempre em processo de renovação..

    abs

  2. Guilherme Freitas disse:

    Bacana, uma história bem legal, de superação. Como disse o James, existem diversos talentos ainda escondidos e prontos para serem descobertos. Tomara que sejem encontrados. Abraços.

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