VOCÊ CONFIA NA IMPRENSA?5
Escrito por Henrique Beirangê | Postado em Mundo da Comunicação | Tags: bilhões de reais, Fórmula 1 2010, Globo, imprensa no Brasil, monopólio da imprensa, monopólio da informação, status quo
por Henrique Beirangê
mundodacomunicacao@blogdacomunicacao.com.br
Porta voz da liberdade de expressão, tribuna dos descontentes, difusora do conhecimento e da informação. A internetchegou para ficar e rompeu com o monopólio da verdade ditada pela imprensa, mas são os meios de comunicação ainda os detentores da agenda do debate mundial. São os jornais quem efetuam o recorte da realidade e impõem os temas a serem discutidos e repercutidos. Um grande telejornal costuma receber por dia cerca de 500 matérias produzidas, e apenas de 10 a 20 vão ao ar. A imprensa orienta o modo como observamos a realidade e condiciona nosso olhar sobre com o que devemos nos preocupar e com o que “precisamos” descartar. Os grandes meios de comunicação se tornaram mastodontes do capitalismo mundial.
A Globo, só para efeitos elucidativos, acaba de renovar o patrocínio da temporada de Fórmula 1 de 2010 com seus cinco anunciantes atuais – Santander, Mastercard, Schincariol, Renault e Petrobras. Cada uma das empresas pagará R$ 56,3 milhões para associar suas marcas aos 19 GPs previstos para o ano que vem. Uma continha rápida: quem somar a venda antecipada de patrocínio dos campeonatos estaduais e brasileiros de 2010; Copa do Mundo; e da F1 2010 chegará a um total de R$ 1,3 bilhões.
A mídia cresceu, agigantou-se. A imprensa se tornou um consorciado de grandes oligopólios que detém o controle de mentes e corações. Os veículos de comunicação já não são mais pequenos redutos de revolucionários e subversivos. São aglomerados econômicos instituídos na nova ordem econômica mundial, guiam-se através da fúria e compulsão pelo capital. Padrões éticos, valores morais, princípios… parecem não fazer mais parte da ordem do dia, o lucro fácil obscureceu a sensibilidade dos grandes formadores de opinião.
Aclamada por muitos e detestada por tantos outros. O papel dos meios de comunicação em uma democracia é condição sine qua non para que o exercício do direito à crítica seja feito de forma plena. Não existe liberdade onde há imprensa sofra embaraços para seu exercício. Não existe democracia onde o tripé liberdade, igualdade e participação não coexistam, e é a imprensa o principal diapasão desses valores. A mídia é a última fronteira de denúncia que o cidadão pode contar. A concorrência e o imperativo do “furo” são suas garantias.
Mas por que então a imprensa mudou? Mudou a imprensa ou mudamos nós? Os veículos de comunicação se tornaram palco de idéias elitistas e reacionárias. O pensamento preconceituoso, dissimulado é claro, parece dominar o esqueleto de textos e pensatas. A imprensa não mais sugere, impõe. A imprensa não mais convida ao debate sadio e ao diálogo, tiraniza.
Precisamos de liberdade de imprensa. Precisamos de novos pensadores e promotores de novos ideais. Não precisamos e não queremos, cães de guarda do status quo.

Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora com extensão em Jornalismo Econômico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente faz pós-graduação em "Brasil: Estado e Sociedade" pelo Instituto de Ciências Humanas da UFJF. Procura focar seus estudos na crítica da conduta política e econômica dos agentes públicos brasileiros.













Oi Henrique! Creio que com a internet abriu-se uma brecha a mais para a democracia. Aqui as pessoas têm a possibilidade de se expressar sem tantas mordaças. Prova disto é o texto que você escreveu e pode ser visto por inúmeras pessoas.
A imprensa brasileira muitas vezes deixa a desejar, porque atua de acordo com interesses de terceiros. Eu confio em uma parte da mídia que é honesta e imparcial, embora sei que outros estão lá apenas para fazer o serviço que lhe é imposto por superiores.
A internet chegou para ficar e por ela ser incontrolável e democrático, onde todo mundo pode escrever e dar sua opinião, será sempre vista como adversária da mídia tradicional. Abraços.
Concordo plenamente. A imprensa é uma indústria que quer dominar. Tornou-se o quarto poder da república com a vantagem de ser intocável, logo, um poder maior que os outros três.
Sempre defendi a necessidade de regulamentação da imprensa de forma a limitá-la à sua função de prestadora do importante serviço de informar.
Já agora, creio que a (des)propósito de comunicação poderiam dar uma vista de olhos ao meu blogue. Nele o poder das ideias está (muito) acima das ideias de poder porque, digo eu, não se é Jornalista oito horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.
É uma faca de dois gumes, é uma emissora querendo derrubar a outra, é uma vergonha, cada pessoa interpreta do geito que quiser.
Um abraço.