por Guilherme Freitas
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Imaginem que daqui há algumas décadas ou séculos, a população da Terra não vai mais saber escrever no papel. Apenas no computador. Isso não é ficção científica, nem previsão apocalíptica, mas pode acontecer. Ontem o jornal Folha de S. Paulo publicou uma excelente matéria intitulada “Escolas exigem que alunos escrevam à mão“, que falava sobre o fato dos jovens alunos usarem demais as teclas de computador e ignorarem o papel e a caneta.
Alguns alunos de escolas particulares de São Paulo levam para a sala de aula notebooks para anotarem as tarefas e estudarem. Em casa, o ritual se repete na hora de concluir as tarefas. Além disso, os jovens passam o tempo livre na Internet e “twittando” com os amigos. Nestas conversas, gírias digitais como “vc” (você) e “pq” (porque), são muito comuns, embora boa parte dos internautas (independentemente da idade) utilizam essas expressões na web hoje em dia. O que se vê são alunos cada vez menos acostumados a escrever no papel.
Por causa disso, algumas escolas tomaram atitudes para fazer com que os jovens escrevam mais a mão. O tradicional Colégio Santa Cruz inovou: os alunos podem escrever seus trabalhos no computador, mas antes devem entregar uma cópia do texto escrito à mão aos professores. “Não abrimos mão do texto manuscrito, é preciso que eles pratiquem caligrafia”, conta Alejandro Gabriel Miguelez, coordenador do curso de produção textual da escola.
Incentivar os alunos a escreverem a mão e deixar um pouco o computador e celular de lado é algo benéfico para a sociedade atual. No passado expressões e palavras mudaram para se adaptar a modernização do mundo e até línguas se perderam no tempo, como o latim. Parece impossível, mas imaginem no futuro um mundo onde nenhum ser humano saiba escrever à mão. Algo que até para se imaginar é difícil.
Fonte: Folha de S. Paulo
Por João Paulo Denófrio
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O levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que o gargalo no ensino médio existe mesmo anos após a universalização do ensino fundamental. Esta é uma área deficitária para os governos federal, estaduais e municipais. Segundo o estudo, os níveis de ensino do país possuem 51,16 milhões de alunos matriculados, com exceção do universitário.
Deste total, 31,4 milhões estudavam no ensino fundamental e apenas 8,2 milhões no ensino médio. Nos dados coletados em 2007, em nove setores, havia 136.903 escolas de ensino fundamental nos municípios, estados e no país. Só havia 17.874 unidades de ensino médio. A estimativa é que 971 mil brasileiros não tenham acesso direto ao ensino médio já que 46 cidades não disponibilizam este tipo de educação.
Este novo estudo apenas comprova informações anteriores. No início deste mês, o Ipea divulgou que apenas metade dos jovens de 15 a 17 anos frequenta o ensino médio na idade adequada e 44% ainda não concluíram o ensino fundamental.
Se o assunto for ensino universitário, o quadro é ainda pior. Míseros 13,6% dos jovens entre 18 e 24 anos têm acesso a este tipo de educação. Os que têm mais de 18 anos e conseguiram concluir o ensino médio, ou seja, 30%, desistem de dar continuidade aos estudos em nível superior. E por falar nisso, são 249 estabelecimentos universitários das três esferas públicas, mas estão presentes em somente 157 municípios do país. E 46% deste total são concentrados na região Sudeste.

Crédito: www.luizpaulovellozolucas.com.br
Por Henrique Oliveira
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Quando se fala em educação, a primeira coisa que nos vêm á cabeça é a imagem daquela velha sala de aula: cenário de reverência a um professor detentor de conhecimento e enquadrador de condutas. O primeiro contato que temos com o processo social da educação emana justamente do formato rígido das classes e das falações repetidas da instituição secular das carteiras, lousas e do silêncio. Poucas vezes ousamos a pensar a educação como algo que possa ir além desse formato, que possa trazer elementos diferentes, que possa inovar os costumes.
Até poucos anos atrás, pensar a educação como forma criadora e estimuladora de comportamento artístico ou, mesmo, de um comportamento crítico, por exemplo, era colocar a escola num patamar dito inferior, de qualidade questionável. Com o advento da modernidade industrial o que se queria era muito mais um aprendizado técnico, que desse conta das demandas das fábricas. Tudo que estivesse fora disso era perda de tempo, um investimento vão. A escola superior de teatro da universidade Federal da Bahia, hoje aclamada como um seleiro de grandes artistas, era tida como uma incursão fracassada por uma educação menos técnica e eminentemente artística. Há quarenta, cinquenta anos atrás tinha-se um grande preconceito com quem fazia teatro. E, até hoje, ainda se tem: frases como “Ele está desesperado, não consegue estudar para outra coisa”; “Coitado, vai sofrer muito na pobreza”; “Deve ser gay”, ainda rotulam muitos daqueles que se arriscam a sair do tecnicismo em busca de uma maior aproximação com a arte e com a reflexão humana.
Parece até que tudo o que não é mecânico é errado. Tudo que escapa da frieza dos números e das leis é fracasso…
Porém, nesses tempos bicudos de uma sociedade tecnicista, ainda afloram aquelas “rebeldias provocativas” das ideias dos então chamados de loucos. Teatro na escola, música na escola, cinema na escola – tudo isso, muito mais do que uma guerra utópica, se faz realidade a partir do esforço de minoria insistentes e louváveis. Professores, estudantes e funcionários, para a nossa esperança, ainda tentam fazer algo de diferente em nossa educação. O projeto Lanterninha de Salvador é um belo exemplo disso.
Com a proposta de trazer o cinema para o âmbito de diferentes escolas públicas da capital baiana, o projeto pretende construir um espaço cineclubista dentro do contexto escolar. Construir um grupo que, por si próprio, possa gerir exibições e operar leituras críticas de obras cinematográficas brasileiras é o grande objetivo da iniciativa. “Através da criação de cineclubes nas escolas o Lanterninha pretende formar público, tornando a experiência cinematográfica acessível a quem nunca foi ao cinema. O projeto evidencia ainda, a necessidade de repensar o ambiente da escola tradicional criando maior diálogo do seu conteúdo com as novas linguagens da sociedade em que vivemos. Levando o cinema brasileiro para dentro das escolas, de forma sistemática, pretendemos criar condições para o desenvolvimento do pensamento critico, o entendimento acerca das diferenças, e através da nossa cultura retratada nas telas, propomos aos jovens que fortaleçam noções de cidadania e identidade” [...]” (fonte: www.projetolanterninha.com.br) . Vejam o vídeo:
Em outras palavras, o Lanterninha, como diversos outros projetos da mesma natureza, prova que o processo educativo não pode ser engessado. Pelo contrário. Cada vez mais, o aprendizado terá que se fazer de maneira múltipla, contemplando os diversos saberes e potencialidades humanas. O ensino técnico é sim importante. Porém, ainda não nos acostumamos a ser máquinas…
por Henrique Beirangê
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“Puta, puta, puta, puta…” O coro embevecido de ódio não teria causado tanto espanto se tivesse sido manifestado por fanáticos religiosos. Mas não foi. Partiu de uma centena de “estudantes”, que aos gritos, reprovavam o tamanho do vestido de uma colega de faculdade. O massacre se deu na Uniban em São Bernardo do Campo.
O tamanho do vestido mobilizou um número de manifestantes de dar inveja a muitos organizadores de passeatas. O episódio ganhou os noticiários de jornais de todo o país e nos fez refletir sobre até onde a intolerância, a falta de respeito e a estupidez humana são capazes de operar. A cena ilustraria perfeitamente um documentário sobre momentos do obscurantismo da Idade Média ou a rincões onde o fundamentalismo Talebã entraria em êxtase e admiração com a conduta daquela noite na faculdade.
O vestido é exageradamente curto e inoportuno para qualquer ocasião social, mas nada fora dos padrões do que estamos habituados a assistir diuturnamente na programação televisiva, incluindo programas infantis. Cercada pelos “estudantes” e ofendida por todos os lados, a aluna do curso de turismo só conseguiu sair da “universidade” escoltada por policiais. A selvageria contou com o endosso até de funcionários. Durante o vídeo da inquisição, uma aluna tenta contemporizar, “ela tá chorando”, mas a rigidez ética de sua amiga é implacável “ela que se dane”.
Questiono-me por que isso incomodou tanto aos “estudantes”. Será que também se inquietam por viver em um país corrupto e injusto? Será que se incomodam por assistir a mentira e a desfaçatez na imprensa todos os dias? Será que também se aborrecem por testemunhar a demagogia e o cinismo nas nossas relações sociais? Será que se perturbam quando o mais forte esmaga o mais fraco? Será que se aporrinham pelas tantas aberrações que vemos todos os dias? Claro que não, afinal, os outros que se danem, não é?
Esse é o esqueleto moral de nossa era. A moral dos hipócritas, a moral dos covardes, a moral dos intolerantes, a moral dos que se escondem na impessoalidade da multidão. A moral humana nunca foi tão seletista. É condescendente e complacente quando a conveniência exige, e rígida e impiedosa quando a inveja, o orgulho, e o egoísmo emergem dos mais escuros e recônditos lodaçais da alma.
Vivemos na era dos absurdos. A falta de espírito público e a depravação social atingiram níveis tão intoleráveis, que se tornaram toleráveis. Assistimos a esse vídeo e procuramos explicações onde tudo que enxergamos é o inexplicável. Estamos em meio a produção social da loucura, onde os valores foram subvertidos e os vícios contemplados.
Quanto tempo será necessário para que a humanidade emancipe de sua infância moral? Talvez se essa inquietação fosse tão recorrente quanto a represália ao tamanho de um vestido, não precisaríamos nos ocupar de temas que de tão absurdos, sequer fariam parte de tamanhas discussões.
Veja abaixo o vídeo da “barbárie” na Uniban
Por Leandro Lopes
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“A morte do homem começa no instante em que ele desiste de aprender”.– Albert Einstein.
Creio que Einstein não se referia somente a conteúdo técnico, mas sim, englobava diversas esferas que são indubitavelmente afetadas quando aprendemos e nos deparamos com novas situações.
Uma das mais fantásticas e deliciosas formas de se aprender e evoluir enquanto individuo é notoriamente a leitura. Infelizmente nosso país não é conhecido pela paixão de sua população pela arte de ler.
Dentre os costumes do brasileiro, poucos são os que ainda mantém o hábito de ler um jornal, e grande parte dos que ainda lêem, estão “consumindo” cada vez menos assuntos de interesse comum como economia e política em detrimento a cadernos específicos como o de esportes, por exemplo.
O incentivo à leitura deixa sim a desejar em território nacional, e os jovens que são fatalmente influenciados por aquilo que absorvem de informação, não recebem ou pouco recebem de informações oriundas de livros e jornais.
É muito importante, portanto, ressaltar uma fonte de leitura e um apoio a essa esfera quando nos deparamos com algo do gênero, algo que nos estimule a ler, algo que nos faça pensar e isso só melhora quando a qualidade do que é oferecido é inegável e quando o custo não foge de nossa realidade.
É o que você encontra clicando aqui, nessa relação do brilhante “Catraca Livre” que é voltado ao cidadão da cidade de São Paulo e coordenado pelo jornalista Gilberto Dimenstein. (Caso você conheça projeto semelhante ao oferecido pelo ”Catacra Livre” em outra cidade, você pode nos indicar através de email ou comentário)

Uma fonte da cidade de São Paulo. Um incentivo a todos.
Entre as mais baixas tiragens do Brasil estão os livros sobre poesia, que não agradam ao ‘paladar’ intelectual do brasileiro. Também por isso a relação que você encontra em link neste artigo trata especialmente sobre a arte do poeta.
Porque mesmo sem incentivo, sem fácil acesso e ás vezes também sem recursos, ainda existem outros meios de se munir de cultura. Isso significa não desistir de aprender, segundo Albert Einstein.
De olho neles.
Abraço,
Leandro Lopes.
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
Cerca de 32 milhões de brasileiros ascenderam de classe social entre 2003 e 2008, e passaram a integrar as classes A, B e C, indica estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas) baseado nos dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).
A melhoria na renda do brasileiro foi um dos pontos fundamentais para que o potencial de consumo aumentasse 14,98% neste intervalo de tempo, acrescenta o estudo.
Ao mesmo tempo, 20,9 milhões de pessoas deixaram a parcela mais pobre da população, migrando das classes D e E. Somente na classe E, deixaram de figurar 19,5 milhões de brasileiros, o que representou uma retração acumulada de 43% entre 2003 e 2008.
“A Pnad coroa um ciclo de cinco anos de melhorias nos indicadores sociais. A meta do milênio tem como objetivo reduzir a pobreza em 50%, durante 25 anos. O Brasil fez quase isso em cinco anos”, afirmou o coordenador do Centro de Políticas Sociais da FGV, Marcelo Neri.
Somente de 2007 para 2008, 3,8 milhões de pessoas deixaram a classe E. Somada a classe D, foram 4,6 milhões de brasileiros. Já a classe C, designada também como classe média, ganhou mais 5,2 milhões de pessoas em 2008. Já a classe AB teve entrada de 1,7 milhão de pessoas no último ano.
Pelos critérios da FGV, compõem a classe AB quem tem renda domiciliar superior a R$ 4.807; entre R$ 1.115 e 4.806, estão os integrantes da classe C; com renda domiciliar de R$ 768 a 1.114, estão o brasileiros da classe D; e finalmente, quem tem renda domiciliar inferior a R$ 768 está na classe E.