ago 2010 24

Média de livros lidos por ano sobre 150% em uma década. Mesmo assim, resultado é baixo comparado com países desenvolvidos.

por Guilherme Freitas
educacao@blogdacomunicacao.com.br

Há algumas semanas, o Ministério da Cultura divulgou uma notícia afirmando que o índice de leitura no Brasil aumentou 150% nos últimos dez anos. De 1,8 livro por ano, a média nacional atingiu 4,7. Ou seja, o leitor brasileiro lê um livro a cada três meses, mais ou menos. É uma média muito baixa. Apenas para comparação, na França[bb] a média nacional é de 11 livros por ano, quase um por mês. O que também aumentou neste período, foram as vendas de livros segundo o comunicado. Mas além das vendas, há uma outra forma de melhorar a educação e aumentar o número de leitores: a doação.

Um das mostras de que possível fazer os brasileiros aprenderem a gostar de ler, ocorreu na Bienal do Livro, encerrada no último final de semana em São Paulo. O Instituto Pró-Livro, que ajuda e batalha para aumentar o índice de leitura no Brasil, encerrou sua campanha chamada “Mãe Lê Pra Mim?” na feira do Anhembi. Foram distribuídos pela instituição 4 mil livros (doados pelas editoras associadas ao Instituto Pró-Livro), na missão de estimular crianças a desenvolver o hábito de leitura.

Leitura é algo que deve vir do berço – Crédito: Divulgação

A campanha tem este nome porque 73% das crianças têm nas mães, a maior influência para começar a ler. Os kits, distribuídos para mães e filhos, ajudarão as famílias a criar jovens leitores Um grande reforço para fazer com que o índice de leitura no país continue crescendo. A iniciativa do “Mãe, lê pra mim?” também teve o apoio do Plano Nacional do Livro e Leitura e do próprio Ministério da Cultura.

Para mais detalhes sobre os projetos do Instituto Pró-Livro, acesse o site do instituto,  clicando aqui.

mai 2010 12

Por Henrique Torres

educacao@blogdacomunicacao.com.br

Friedrich Wilhelm Nietzsche, filósofo alemão do século XIX que exerceu e exerce muita influência até hoje. Escreveu diversas obras, das quais mencionarei apenas um livro chamado “Crepúsculo dos Ídolos”, que contém passagens que me interessam no momento. Num capitulo deste livro (“Do que falta aos Alemães”) Nietzsche critica brutalmente o ensino superior alemão por razões que ficarão evidentes adiante. Cito então um trecho do livro para que se veja não a brutalidade da critica às universidades alemãs, mas algo que é muito mais interessante para nós por tocar na realidade das universidades brasileiras, isto é,  o conteúdo da crítica Nietzchiniana. Diz Nietzsche:

“O que o ensino dito “superior” alemão obtém de fato, é um adestramento brutal que permite, perdendo o menor tempo possível, tornar uma multidão de jovens, úteis – exploráveis – para o serviço de Estado. “Educação superior” e multidão inumerável, eis bem aqui uma contradição de principio. Toda educação superior se destina apenas às exceções. É necessário ser privilegiado para poder pretender um privilégio tão alto. Todas as grandes, todas as belas coisas, não podem jamais ser do domínio público. (…) O que é que determina a decadência da cultura alemã? O fato de que a “educação superior” não seja um privilégio – o democratismo da cultura “geral” tornado “comum” e vulgar”.

O que Nietzsche escreveu lembra algo? A mim, lembra muita coisa. E dentre estas coisas, lembra principalmente o estado em que se encontra a universidade pública brasileira. Uma universidade para a grande elite e para alguns eleitos. E aí é onde mora toda a ironia de ler Nietzsche e viver com esta realidade. Isto é, Nietzsche era extremamente elitista, sendo que o problema da cultura alemã para ele, era o fato de qualquer um poder chegar até uma universidade e ter acesso à cultura. Segundo Nietzsche a cultura é algo superior, e por isso só os homens superiores podem ter acesso a ela, ou seja, universidade e cultura são coisas para uns poucos, ou melhor, para os “grandes”.

USP: A maior universidade brasileira e provavelmente o maior exemplo de universidade para a elite. - Crédito: globo.com

E não é exatamente isso que se passa com as universidades públicas do Brasil, apesar de estarmos em um país democrático onde o direito à educação (inclusive a superior) é assegurado pela constituição? E mais ainda, pelos direitos do homem e do cidadão? Não são exatamente aqueles que têm condição de pagar uma universidade particular (a elite, ou as “exceções” segundo Nietzsche), que mais ingressam em universidades públicas no Brasil?  E onde ficam aqueles que não podem arcar com as despesas de uma universidade particular, e que por isso deveriam estar em universidades públicas? Em três lugares: fora da universidade, sofrendo para pagar uma particular, ou dentro da universidade particular, mas beneficiado por algum programa do governo. Programas que de forma geral são ruins por serem medidas que afirmam essa realidade brasileira ao invés de transformá-la. Quero dizer que, com todo o dinheiro que o governo dá às universidades particulares por meio do PROUNI, por exemplo, (e diga-se de passagem que a maioria dessas universidades são péssimas) daria para aumentar em muito as vagas em universidades publicas, sem falar na possibilidade de criar e manter outras novas universidades.

Em resumo, coloco tudo isto aqui por que acredito que seja um dos maiores paradigmas da educação brasileira, algo da qual sempre ouvimos promessas revolucionárias todas as vezes que alguém tenta se eleger em algum cargo político, mas que na realidade nunca é tratada com a devida importância que merece. Paradigma este que se expressa no fato de termos muitos da elite nas universidades publicas, e alguns que não fazem parte da elite e são eleitos pela sorte para estar lá. Isso faz com que nos questionemos não se o Brasil vai continuar crescendo nos próximos anos, ou se a economia brasileira vai permanecer forte. As questões que nos assaltam, são sobre a esperança que temos na possibilidade de que o Brasil seja um dia um país que preze pela educação assim como preza pela economia.

*Nota: A citação do texto de Nietzsche foi feita a partir da edição da Collection Folio, da obra Crépuscule des Idoles (em francês), páginas 54 e 55. A tradução é livre. Os trechos em itálico são grifos do autor. Os em negrito são meus.

abr 2010 27

QUE SE EDUQUE! E DE VERDADE!3

Escrito por Isabela Fonseca | Postado em Educação | Tags: , ,

Por Isabela Fonseca

educacao@blogdacomunicacao.com.br

Estamos prestes a cair em mais um grande processo eleitoral, e a base brasileira dos próximos quatro anos será escolhida pela população. Seja qual for o governo e qual for seu pensamento político (direita, esquerda, para trás ou para frente) a educação é ponto chave de proposta.

Creio que todos concordam que a educação é a base e solução de todos os problemas (ou a imensa maioria deles) de nosso país. Podemos justificar a violência como falta de trabalho para aqueles que aceitam o aliciamento do mundo do tráfico, e o fazem justamente porque no mundo atualmente necessitam trabalhar, e sem a educação necessária, não arrumam emprego.

Quando se entra em uma problemática como a falta de empregos, estamos falando de economia e a bola que faz girar um país todo. Sem emprego e sem dinheiro, não há atendimento de saúde de qualidade, não há qualidade de vida, lazer, esportes, diversão… Não existirá investimento em cultura e etc.

Uma população sem educação e não estou me referindo somente à educação básica (que já seria um grande passo para este país), mas sim à educação cultural, o incentivo ao conhecimento, à leitura, que no Brasil é falho e pouco valorizado por nossa camada de jovens – o futuro da nação – um país sem tal reconhecimento à sua própria cultura e identidade cai em uma vala de profundo descaso em relação aos demais assuntos de uma sociedade.

Vimos nos últimos meses tragédias de proporções avassaladoras e nosso país foi exposto às chuvas e enchentes que pararam metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro. Por onde se anda em São Paulo encontra-se lixo espalhado pela cidade! Uma gama de papeis jogados na rua, garrafas plásticas soltas ao vento, “bitucas” de cigarro e tantos outros que não se fazem necessário exemplificar. Isso é ou não falta de educação?

Qual será a cara das crianças no futuro? Crédito: NYChildren

Garotas com 16 ou 17 anos já com filho (s) para criar perdem sua juventude, sua inocência e a oportunidade de se desenvolveram como mulheres, digo desenvolverem no sentido de aprender com a vida, as lições que a escola (fundamental, média ou até universidades) não ensina.

A educação que nossas crianças recebem nos leva a (pouco) acreditar em um futuro de melhor proporção, até porque crianças são baseadas em exemplos… E hoje temos exemplos (à solta) por aí… Em Brasília tem um monte à solta, diga-se de passagem.

Torço para que nas próximas eleições possamos escolher o candidato (a) que mais enxergue a educação como causa e solução dos problemas que temos. Porque só aí surgirá um pingo de esperança.

Ratifico que este não foi um texto com criticas políticas ao atual presidente, governador, prefeito ou subprefeito de qualquer que seja o partido, mas sim uma crítica para todos desta sociedade (inclusive eu) que relutamos em enxergar na educação, a real importância que ela tem.

abr 2010 14

Por Henrique Torres

educacao@blogdacomunicacao.com.br

Baseado numa carta aberta à população da APEOESP.

            Pense nos aspectos fundamentais para que uma sociedade funcione. Segurança, saúde, educação, emprego e coisas do tipo. Pense agora em qual deles é o mais importante para uma cidade. Arriscando bem alto eu diria que um número reduzidíssimo de pessoas pensaria no trânsito como o aspecto mais fundamental de uma cidade. Mas às vezes é isso que as pessoas aparentam. Isto é, parece que o trânsito é mais fundamental do que a educação ou a saúde, por exemplo. Digo isso pelo número de vezes que ouvimos pessoas reclamando sobre o trânsito. A diferença é incomparável. Ouvimos muito mais reclamações do trânsito mesmo sendo um aspecto secundário. A única explicação que encontro para isso é a de que o trânsito é um aspecto sempre presente na vida da grande maioria das pessoas. Por outro lado a educação para muita gente é um aspecto “passageiro”, isto é, em certo momento da vida a grande maioria deixa a escola, e com isso deixa as preocupações com ela também.

            O que quero colocar aqui é que visamos demais alguns problemas, e de certa maneira ignoramos outros. Dizer que a educação é mais importante que o trânsito é chover no molhado. O problema é que estamos concentrados em problemas menos fundamentais enquanto deixamos absurdos acontecerem. Mostrarei os absurdos. Faz quinze anos que o PSDB está no governo de São Paulo, e em quinze anos não se acompanha nada mais do que a degradação, o apodrecimento do sistema educacional. Acompanhemos os aspectos fundamentais da última greve dos professores, e o que o último governador de São Paulo, José Serra, diz sobre ela.

Greve dos Professores

Manifestação dos Professores na Av. Paulista. - Crédito: Divulgação.

            Primeiro: Serra afirmou que o único motivo da greve é político, isto por que acontece em ano eleitoral somente com o intuito de prejudicar sua candidatura. Mas é preciso apenas que ele olhe para trás e veja que São Paulo passou por muitas greves de professores, e grande parte delas fora de ano eleitoral. Além disso, para se dizer que a greve é política não é preciso possuir muitos neurônios. Toda greve é política.

            Segundo: Serra afirmou que o ensino melhoraria por que os professores agora seriam submetidos a provas e só os mais capacitados dariam aulas. O que essa pretensa seleção fez foi nada mais do que baratear e “sucatear” o ensino de São Paulo. Serra apenas trocou o professor mais antigo por um mais novo e mais barato. Fez com que pessoas que trabalharam mais de vinte anos perdessem a estabilidade e pior, a aposentadoria. Isso contribui com a educação ou a prejudica?

            Terceiro: Serra afirmou que os professores têm salários de seis mil reais. A média salarial do professor do estado de São Paulo e de mil e quatrocentos reais. Isto quer dizer que os professores de estados como Acre, Roraima, Alagoas, Espírito Santo e Tocantins recebem muito mais do que os professores do estado mais rico do Brasil.

            Quarto: Por fim, Serra culpa os professores pela má qualidade do ensino. Como já disse, o governo de São Paulo está nas mãos do PSDB desde 1995. Em 1998 baixou-se um dos decretos mais geniais da história desse estado. Ele se chama “Processo de Aprovação Automática”. Este fato é o que certamente deveria fazer com que todo cidadão se sentisse extremamente indignado com a educação. Tão indignado que esqueceria dos problemas do trânsito. Definindo este projeto pode-se dizer resumidamente que é um projeto que impede os professores de reprovar alunos, mesmo que eles não saibam nada. Ou seja, o professor é obrigado a aprovar alunos praticamente analfabetos. É assim que muitos alunos terminam a oitava série: analfabetos. Este projeto nada mais é do que um “Processo de Ignorância Continuada”. Sinceramente, eu gostaria muito, muito mesmo, de acreditar na pura burrice de quem elaborou ou de quem aprovou este projeto. Infelizmente seria muita ingenuidade. Gostaria de poder ser tão ingênuo assim para não ter que pensar na má intenção quanto a educação ou no profundo desprezo que todos aqueles que compactuaram com isso sentem pela educação básica, e no limite, sentem pelo povo de forma geral.

*Note-se: Apesar de Serra ser o alvo do texto, isso é meramente casual. Se passa apenas por que ele foi o último governador. Da mesma forma digo que Covas, Alckmin, Maluf e o próprio Lula pouco deram importância para a escola pública.

mar 2010 10

Esta semana estão abertas as inscrições para o curso pela internet: Assessoria de imprensa e relacionamento com a mídia.

Período do curso: 15 a 28 de março

carga horária: 20h/aula

Conteúdo
:: Como fazer uma assessoria de imprensa estratégica
:: Como prevenir e agir em situações de crise na mídia
:: Como treinar as fontes (media training)
:: Como solucionar problemas na relação com os assessorados e valorizar a assessoria de imprensa
:: Como se relacionar bem com os jornalistas na mídia e emplacar boas pautas
:: Como fazer e distribuir notas, sugestões de pauta ereleases diferenciados
:: Como avaliar e mensurar os resultados de divulgação
:: Quanto cobrar (formação de preços) e como agregar valor
:: Sistemas de clippingmailing e distribuição de releases
:: Cases de sucesso em assessoria de imprensa

Público
Assessores de comunicação, jornalistas, relações públicas e interessados em atuar na assessoria de comunicação.

Metodologia
Totalmente online, com aulas pela internet (qualquer hora e lugar, com vídeos e pesquisas, exercícios práticos e construção de um plano de divulgação modelo.

Professor e autor
Aldo Antonio Schmitz
: jornalista, formado em Administração, pós-graduação em Gestão da Comunicação Empresarial, especialização em Educação a Distância e mestrado em Jornalismo. Experiência de 20 anos na assessoria de imprensa na WEG, Karsten, Bunge, Hering, Haco Etiquetas, Unimed, Senac e prefeitura de Jaraguá do Sul.

Referencial do conteúdo
Jorge Duarte
: Jornalista e relações públicas. Mestre e doutor em comunicação pela Univervidade Metodista. Atuou na assessoria de comunicação da Embrapa e atuamente está na Secretaria de Comunicação da Presidência da República. Autor e organizador de várias obras, entre elas o livroAssessoria de imprensa e relacionamento com a mídia.

Certificado
Participante com mais de 75% de atividades

Requisito
Acesso banda larga à internet.

Valor: R$ 394,00
Desconto:
248,00 (desc. 37%): inscrições antecipadas

Informações sobre os cursos, como funciona e inscrição no site: www.iscom.com.br

jan 2010 19

por Guilherme Freitas
educacao@blogdacomunicacao.com.br

Imaginem que daqui há algumas décadas ou séculos, a população da Terra não vai mais saber escrever no papel. Apenas no computador[bb]. Isso não é ficção científica, nem previsão apocalíptica, mas pode acontecer. Ontem o jornal Folha de S. Paulo publicou uma excelente matéria intitulada “Escolas exigem que alunos escrevam à mão“, que falava sobre o fato dos jovens alunos usarem demais as teclas de computador e ignorarem o papel e a caneta.

Alguns alunos de escolas particulares de São Paulo levam para a sala de aula notebooks[bb] para anotarem as tarefas e estudarem. Em casa, o ritual se repete na hora de concluir as tarefas. Além disso, os jovens passam o tempo livre na Internet e “twittando” com os amigos. Nestas conversas, gírias digitais como “vc” (você) e “pq” (porque), são muito comuns, embora boa parte dos internautas (independentemente da idade) utilizam essas expressões na web hoje em dia. O que se vê são alunos cada vez menos acostumados a escrever no papel.

A linguagem da web – Crédito: Reprodução

Por causa disso, algumas escolas tomaram atitudes para fazer com que os jovens escrevam mais a mão. O tradicional Colégio Santa Cruz inovou: os alunos podem escrever seus trabalhos no computador, mas antes devem entregar uma cópia do texto escrito à mão aos professores. “Não abrimos mão do texto manuscrito, é preciso que eles pratiquem caligrafia”, conta Alejandro Gabriel Miguelez, coordenador do curso de produção textual da escola.

Incentivar os alunos a escreverem a mão e deixar um pouco o computador e celular de lado é algo benéfico para a sociedade atual. No passado expressões e palavras mudaram para se adaptar a modernização do mundo e até línguas se perderam no tempo, como o latim. Parece impossível, mas imaginem no futuro um mundo onde nenhum ser humano saiba escrever à mão. Algo que até para se imaginar é difícil.

Fonte: Folha de S. Paulo

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