por Marcello Ghigonetto

Um time representado por uma nação. São mais de 30 milhões de brasileiros que assim como eu torcem, vibram e também sofrem por uma paixão incondicional e que muitas vezes beira o inquestionável, mas o que é ser corintiano, como que nos deixamos levar por esse sentimento FIEL.
Costumo brincar com meus amigos que tudo quando é para o Corinthians é sempre mais difícil. A vitória é suada e a derrota sofrível. Atire a primeira pedra quem não admita ser insuportável ouvir a nós quando somos campeões ou ganhamos de nossos grandes rivais, e nos momentos difíceis quem não gosta de tirar um sarro e brincar com derrotas ou tropeços. Ser corintiano é isso, é ser movido por essa paixão que da calafrios, que sabe que o gol do título só vai sair aos 47º do 2º tempo depois de um rebote por pênalti.
Mas o tempo passou e para ilustrar os 100 anos quero destacar os melhores e os mais difíceis momentos que passei como torcedor e fanático, afinal, como diria Toquinho, ser corintiano é ir além, é motivar, é cantar e vibrar. Em 1995 tive uma das maiores alegrias como torcedor. Em Janeiro, inicio do ano o primeiro título. Copa São Paulo de Futebol Junior regado ao samba “ Me dê a mão, me abraça, viaja comigo pro céu… sou gavião, levanto a taça, com muito orgulho pra delírio da Fiel”… Ainda estávamos em Março e comemorávamos sempre cantando. Eu tinha 12 anos e já me sentia um louco. Deste torneio, vi surgir nomes como Zé Elias, Ewerthon, Edu e Sylvinho que semanas depois integrariam o elenco profissional e contribuiriam para conquista de mais dois títulos. O Paulista com um gol de Elivelton na prorrogação, meu deus, que sofrimento contra o Palmeiras em Ribeirão Preto e ao inédito da Copa do Brasil frente ao Grêmio. Pois bem, acabo de perceber que algumas datas de minha vida estão ligadas a acontecimentos diretos com o Corinthians.
Em 2000, no maior titulo de nossa história estava em Fortaleza-CE. Uma final eletrizante com o Vasco decidida nos pênaltis. Chorei, gritei e ainda hoje me recordo com boas lembranças. Durante as cobranças de pênalti a luz do hotel simplesmente caiu. Eu digo, tudo com o Corinthians é mais complicado. No 1º Mundial de clubes organizado pela Fifa fomos convidados como campeões do país sede e ainda hoje muitos nos questionam por esse convite. Como não citar os títulos paulista de 1977 após 23 anos de fila sem títulos, fase por sinal de maior crescimento da torcida. E a histórica invasão da gaviões da fiel pelo Rio de Janeiro.
Por falar em Fiel, não podemos deixar de homenagear a Fiel torcida e para esse momento me apoiarei nos momentos mais difíceis, afinal “AQUI TEM UM BANDO DE LOUCO, LOUCO POR TI CORINTHIANS, AQUELES QUE ACHAM QUE É POUCO, EU VIVO POR TI CORINTHIANS, EU CANTO ATÉ FICAR ROUCO, EU CANTO PRA EMPURRAR, VAMOS, VAMOS, VAMOS, VAMOS MEU TIMÃO, VAMOS MEU TIMÃO, NÃO PARA DE LUTAR”. O ano é 2007, após uma pífia campanha no Campeonato Brasileiro o inesperado, com a 4º pior campanha somos rebaixados para 2º divisão. Como explicar este sentimento. Tristeza, com uma angústia profunda. Talvez fosse um dos piores dias de minha vida, um vazio em meu pensamento, mas tinha de tirar força. Muito de meus melhores amigos que eu saberia que aproveitariam o momento para tirar um sarro, perceberam que algo de estranho pairava no ar.
Hoje já sabemos a continuação da história, mas muito da volta a 1º divisão se da pela força desta torcida, mas nem tudo sempre são flores nessa relação de amor e ódio. Esta mesma torcida que canta e move o clube, foi aquela que proporcionou uma das cenas mais assustadoras por mim já vivida. Copa Libertadores da América de 2006, contra o River Plate da Argentina. O então atacante Higuain, em uma noite inspirada, após anotar terceiro tento e acabar de vez com o sonhos de passar a próxima fase do torneio viu a torcida invadir o campo aos 40 minutos do 2ºtempo e em um confronto cinematográfico com a policia o jogo termina junto do sonho, por sinal um sonho cada vez mais perto de acontecer.
Para finalizar, digo que ser Corinthians não é ser um torcedor movido por títulos, mas sim ser um admirador do futebol jogado de forma sofrida . Podem nos chamar de loucos, doentes ou malucos, mas como diria o refrão “Sou Corintiano, maloqueiro e sofredor, graças a Deus”. Sofrimento tem cura , mas um laudo médico ajuda “Doutor, eu não me engano, meu coração é corintiano”, se a situação mesmo assim não ajudar insista e não desista, pois com apoio a situação pode ser revertida “vai Corinthians, vai não para de lutar, vai torcida fiel, sarava Seu Jorge, ele vai nos ajudar”, mas como tudo na vida não são flores, sempre temos imprevistos no caminho, para isso “Eu sou, Corinthians, eu nunca vou te abandonar, por te amo” e se a situação apertar “aqui tem um bando de louco, loucos por ti Corinthians”.
Parabéns ao clube que faz os meus sonhos esportivos serem diferentes e meu amor ser maior a cada conquista ou obstáculo superado. Afinal, Corinthians é minha vida, Corinthians é minha história e Corinthians é meu amor.

Crédito - Site Corinthians