Por Ruither Ferrão
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Há pouco mais de dez anos, ainda era pequeno o número de pessoas no Brasil que investiam em tratamentos e cirurgias para obtenção de uma melhor aparência do rosto e do corpo. Nos últimos anos, tanto homens, como mulheres, buscam na medicina estética uma saída para conservar a boa aparência e manter a jovialidade.
Mais que um creme para hidratar ou uma massagem, o brasileiro quer agora é estar dentro dos padrões de beleza estabelecidos pela sociedade. Eles não poupam esforços nem dinheiro, na tentativa de retardar o envelhecimento, através de tratamentos anti-rugas, combate às barrigas salientes e, claro, entre as mulheres, se livrar das indesejáveis estrias e celulites.
Os benefícios do tratamento estético estão chegando à todas as camadas da população, inclusive, às pessoas de menor poder aquisitivo, que já contam com o tratamento gratuito em São Paulo e no Rio de Janeiro. Esta é uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Medicina Estética.
A especialização de um grande número de profissionais, a facilidade de importação de material e a redução dos custos, contribuem para o avanço da medicina estética no Brasil, influenciando até mesmo as pessoas de baixa renda. A medicina estética envolve quatro áreas de atuação: cirurgia plástica, endocrinologia, cirurgia vascular e dermatologia.
Com relação às mulheres, a celulite é uma das grandes preocupações e chega a atingir cerca de 90% da população feminina, segundo o massoterapeuta Marcelo Henrique Dias. Ela é provocada pelo acúmulo de gorduras, água e toxinas nas células, deixando a pele com depressões e nódulos. Um método muito eficaz no combate a esse mal é a endermologia, processo que utiliza pressão a vácuo e que, conforme Marcelo, tem um alto índice de aprovação entre os pacientes da clínica onde trabalha.
Para o rosto, o tratamento que mais se destaca é o botox. Um líquido que paralisa a musculatura e é usado para reduzir vincos entre as sobrancelhas e rugas ao redor dos olhos. Este produto tem baixo custo e é aplicado na região da testa, no pescoço, em volta dos olhos e ao redor dos lábios. Segundo Marcelo Henrique, o botox pode ser usado sempre que necessário e o resultado de cada aplicação se mantém por até oito meses.
Na constante busca pela boa aparência, os homens também marcam presença. Ao contrário do que se pensa, eles estão se libertando do preconceito a cada dia, passando a investir mais na beleza do rosto e do corpo. A vendedora Shírley de Araújo Pereira, de 25 anos, concorda com a preocupação dos homens. “Todos nós temos esse direito. É muito desagradável você conviver com uma pessoa que não cuida de si própria”, diz ela.
Ouve-se dizer que o homem vaidoso perde a sua masculinidade. Para Paulo Camilo de Souza, de 23 anos e metrossexual assumido, o homem não deixa de ser homem simplesmente por querer estar bem cuidado. Segundo ele, o preconceito ainda existe, mas comparando com algum tempo atrás, é quase insignificante. “Hoje as pessoas são mais livres para fazer suas escolhas”, diz Paulo.
Como surgiu a Medicina Estética
Quase por acaso se deu o início da organização da Medicina Estética. Em 1973, três amigos viajavam em férias a bordo de um cruzeiro pelo Mar Mediterrâneo. Os três eram dermatologistas e, naquela ocasião, conversavam sobre a insatisfação humana no que diz respeito às distorções corporais que causam o envelhecimento cutâneo. Nessa conversa surgiu a idéia de um esforço com o intuito de estudar e solucionar problemas estéticos.
Jean Jacques Legrand, da França, Carlo Alberto Bartoletti, da Itália e Michel Delune, da Bélgica, formavam o trio que mais tarde chegaria à revolucionária área da Medicina Estética.
A primeira sociedade de medicina estética surgiu na França. Bélgica, Itália e Espanha seguiram o exemplo e criaram suas respectivas sociedades de medicina voltadas à estética. Estas entidades unidas adotaram normas de conduta e comportamento científico, criando-se então a União Internacional de Medicina Estética (UIME), com sede em Paris. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Medicina Estética foi fundada em 1988.
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