por Maíra Mello
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Ao se sentirem prejudicadas com o compartilhamento gratuito de seus produtos na internet, as indústrias fonográfica e de cinema americanas, se esforçaram para que fossem criados no Congresso dos Estados Unidos, projetos de lei que visam combater a pirataria na internet. E assim foi feito, conhecidos pela sigla SOPA (Stop Online Piracy Act – Pare com a pirataria on-line), em sua versão na câmara, e PIPA (Protect IP Act – Ato para proteção do IP), no Senado, os projetos têm como ideal bloquear o acesso a sites que comercializam conteúdo pirata como música, filmes e livros, impedindo também que qualquer site de busca direcione os internautas para tais conteúdos, ou seja, qualquer site conectado via hiperlink com outro site apontado como pirata pode ser banido da internet. Twitter e Facebook, por exemplo, poderiam ser punidos por permitir que usuários publiquem conteúdo “proibido” nas redes sociais, Google poderia ser acusada de manter anúncios publicitários e links para esses sites, sendo julgada por “permitir ou facilitar” a pirataria.
Mas os sites que são contra os projetos não ficaram parados e, além de enviarem cartas ao Congresso, realizaram nessa quarta-feira (18) um protesto virtual, que contou com a participação de grandes empresas como Google, Wikipedia, WordPress, Mozilla e Twitpic.com o objetivo de encorajar os internautas a procurarem um membro do congresso e o pedir que vote contra os projetos de lei, cerca de 10 mil sites realizaram algum tipo de protesto, muitos saíram do ar, realizaram posts, dentre outras ações. O Google local, por exemplo, publicou uma mensagem que dizia: “Diga ao Congresso que não censure a internet”, deixando também dados que comprovam que milhões de americanos se opõem aos projetos, e uma tarja preta ficou no ar durante horas em sua logo, como na imagem a seguir:

Google contra 'SOPA' - Crédito: divulgação
A Wikipedia, assim como outros sites, ficou fora do ar durante 24 horas, e ao acessar a página, o internauta a encontrou com o visual um tanto quanto sombrio e uma mensagem que dizia: “Imagine um mundo sem livre conhecimento”.

Wikipedia fica fora do ar - Crédito: divulgação
Outro exemplo de ação contra os projetos foi a realizada pela Mozilla: quem é usuário do navegador Firefox, viu sua página inicial preta e um aviso de greve! A logo foi cortada por uma faixa preta dizendo: “Abaixo a censura”.
Enquanto isso no Brasil…
Caso sejam aprovados os projetos, fica claro que, a pressão para que o Brasil e demais países adotem legislações semelhantes será enorme, pois tais projetos darão poderes em excesso para quem quiser tirar os endereços do ar, prejudicando o funcionamento da web em todo o mundo. E protestos também já existem por aqui, um exemplo dos vários que estão participando é o do músico brasileiro e ex-ministro da cultura Gilberto Gil, que aderiu à campanha e acrescentou a hashtag #SOPAblackoutBR, como mostra a imagem:

Gilberto Gil contra SOPA - Crédito: divulgação
Mas há quem seja a favor, Disney, Universal, Paramount, Warner Bros, dentre outras emissoras de TV, gravadoras de músicas, estúdios de cinema e editoras de livros apoiam os projetos.
O PIPA deverá ser votada pelo Senado norte-americano na próxima segunda-feira (24). Já o SOPA ainda está sendo avaliado por comissão na Câmara. Se aprovada da forma como foram redigidas, as normas irão obrigar os sites a acharem um meio técnico de impedir a distribuição do conteúdo, sob pena de fechamento ou até cinco anos de prisão para os organizadores. Mas a Casa Branca teria pedido, recentemente, a revisão dos projetos e alteração de algumas normas. O governo de Obama disse em mensagem publicada no blog, nesse final de semana, que não podia apoiar “um projeto de lei que reduz a liberdade de expressão, amplia os riscos de segurança na computação ou prejudica o dinamismo e a inovação da internet global”.
Por fim, fica claro que a liderança tem se direcionado para o lado que se sente ‘incomodado por estar vendendo menos’, com a ilusão de que irão ressurgir das cinzas as vendas online de seus filmes e músicas. Quando na verdade, também continuam sendo grandes empresas, assim como as que serão prejudicadas com tais projetos. Essas empresas têm obtido ótima lucratividade, mas elas querem mais! Sempre mais! E é a favor disso que o Congresso está votando.
Há outras maneiras de se trabalhar contra a pirataria. Devemos ser a favor de um Mundo conectado! Não precisamos de líderes que são contra esta ideia…