por Alexandre Decaris
politica@blogdacomunicacao.com.br
Há consonância geral acerca de que a debilidade da infraestrutura brasileira é um dos maiores estorvos ao progresso do país. Numa lista sobre a qualidade dos portos em 142 países, estamos assentados na infeliz 130ª posição. Nosso sistema portuário é babélico e minguado. Todavia, é decerto difícil que a reputação da presidente seja abalada porque há um renque de caminhões nos portos, em especial no de Santos.
Na semana passada, o governo voou para evitar que a medida provisória (MP) nº 595 – a dos portos – caducasse. Tentou-se solucionar em dois dias o que não se fez nos dois últimos decênios. Essa MP é um projeto governamental que proporciona a abertura dos portos privados ao uso geral e a amplificação da atividade, privada ou não, nos portos oficiais. É, também, um passo à frente tão necessário ao país.
Mas a tabelinha eleitoral sempre perverte o debate e gera no Palácio do Planalto o receio de conceber transas que façam inimigos às vésperas do pleito. No episódio da MP, o governo federal perdeu a habilidade de gerir e nortear o debate. Ademais, o governo dilmista teve uma ótica obtusa a respeito do conflito, uma vez que renegou críticas de que a articulação política por meio das ministras da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, não estava dando conta do recado.

Deputados dormem durante a tramitação da MP dos Portos na Câmara dos Deputados – Crédito: Alan Marques/Folhapress
A MP que abre o setor dos portos suscitou uma contenda comercial, com parlamentares se prostituindo para empresários em troca de capital para campanha. Decerto há interesses beneficiários e injuriados com a alteração do status quo – encontram-se aí empresários como Eike Batista, Emílio Odebrecht e Daniel Dantas, além de instituições trabalhistas como a Força Sindical. Mas é inaceitável deixar que a corrente de dinheiro no decorrer da tramitação da MP chegue ao nível das correntezas marítimas. Agora, só resta à presidente vetar as negociatas anexadas por deputados à MP.
A base aliada é desleal, na amizade com o governo, porque boa parte joga no campo da usurpação. Nesse jogo de “é dando que se recebe”, o governo teve que desbloquear cerca de R$ 1 bilhão em emendas individuais suspensas para conseguir conduzir o Congresso ao rumo certo. Caso tivesse operado com mais habilidade, a votação da MP não teria sido feita com tanta afobação e tantos atropelos de protocolo, tendo sido aprovada no Senado a apenas cinco horas do vencimento. O governo carece de uma iniciativa nacional para recrutar os congressistas e dar um fim ao festim pantagruélico do lobby.
Por fim, a questão não é apenas a alteração no sistema portuário, mas nosso horizonte econômico. A solução da incompetência logística no Brasil não se circunscreve tão só à nova legislação. Há um complexo de gargalos tautócronos ainda a serem desfeitos. Se o país quer progredir e se tornar uma potência econômica, precisa atrair investidores do setor privado e de muito mais no comércio mundial.
por Draylton Tavares
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O debate na sociedade atual para a redução da maioridade penal passa mais por um sentimento de vingança do que uma argumentação racional sobre as consequências do resultado dessa prática. Olhemos para a quantidade de instituições correcionais direcionadas para menores infratores, não há uma diversidade delas capazes de sustentar a quantidade de criminosos menores de idade, mas isso porque não há preocupação com a educação básica desses jovens, não estou aqui tentando torna-los pobres coitados, mas se há falha na educação básica e posteriormente essas instituições para menores são apenas depósitos de marginais ociosos o resultado final dessa equação não é satisfatório. Nosso jovens não têm uma educação de qualidade no princípio de sua vida, alguns se desviam para um caminho que gera receita mais rápido, e uma boa receita, posteriormente cometem crimes e são pegos, são jogados dentro dessas detenções juntos com outros jovens na mesma situação.
Dentro dessas instituições não existe uma boa escola, nem formação profissional decente, qual o destino deles depois da liberdade retomada? Crime. Então, reduzir a maioridade penal irá mantê-los dentro da cadeia um pouco mais de tempo, mas com criminosos mais graduados, podendo até ampliar os contatos e network, portanto, um criminoso capaz de pequenos delitos colocado junto com marginais mais capacitados irá dar ele um MBA no mundo do crime. Não é racional pedir para reduzir a maioridade penal, é burrice, e de maior tamanho essa burrice. Porque não exigimos a instalação de fábricas dentro dos presídios? Porque não fazemos uma movimentação social para ampliar o ensino técnico dentro das instituições prisionais? A ideia da cadeia não é prender, como pensa muita gente estúpida, é corrigir e reabilitar ao convívio social, mas como iremos reabilitar se não somos capazes de ensinar nada aquele monte de pessoas ociosas?
por Alexandre Decaris
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Na fuzilaria provocada pelas carabinas enferrujadas da direita reacionária e da esquerda repulsiva brasileira, encontro o Congresso Nacional sempre dando tiro no pé, um atrás do outro. Não obstante, alguns disparos acertam os indivíduos errados. Afinal, os inimigos do Congresso estão lá dentro, não fora. A corja, ou melhor, a trupe dos bufões está lá, não aqui. Com a infelicidade de um Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) e de dois delinquentes que são réus no processo do mensalão na Comissão de Constituição e Justiça, o Congresso é digno de pena.
Isto posto, indago-me: como ainda é possível encontrar nacionalistas neste país? Como é capaz brotar nestas terras um fruto tão podre como o nacional-socialismo? A população deveria ser, no mínimo, cética a respeito do porvir desta nação. Violência aqui é praxe, corrupção já é rotina e a irmã de Minas Gerais é a censura. Dou-lhe uma, dou-lhe duas, qual dos virtuais candidatos à presidência da República arrematará o Palácio do Planalto e colocará este país nos trilhos? Está imposta a incógnita.
Enquanto a bancada evangélica faz o bacanal no Parlamento, moradores de rua são assassinados brutalmente na capital de Goiás e jornalistas tem pena de morte executada por policiais facínoras na região do Vale do Aço, em Minas Gerais. É imperioso sublinhar, também, que em Minas não se pode criticar o governo do Estado. A censura branca fala mais alto. Calados devem ficar os jornalistas que querem ser bem sucedidos na vida profissional.
Nesta semana, participarei de debate na Paróquia São José Operário. Nesse evento, palestrarei sobre temas que dissertei no Blog da Comunicação, a saber, o fundamentalismo e o jogo de interesses que levou o deputado federal Marco Feliciano ao cargo de presidente da CDHM e a permanente ascensão e os últimos episódios do movimento neonazista brasileiro. Ademais estes tópicos, discorrerei sobre a gestão do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB).
Devo, com toda a minha lisura, declarar que fiquei muito grato pelo convite para participar dessa discussão, dado que não sou cristão, mas agnóstico. À vista disso, acredito que a pluralidade de perspectivas é o primeiro passo no caminho de uma sociedade mais tolerante em todos os aspectos, em especial no que tange o espiritual. A palestra é a causa pela qual tenho me privado de escrever semanalmente nesta coluna, visto que preciso conceder dedicação exclusiva ao evento.
Por fim, deixo aqui o meu lamento aos que votaram, recentemente, a favor do pastor Marco Feliciano e da redução da maioridade penal nas enquetes deste blog. São insofismáveis apedeutas, fundamentalistas e intolerantes. A solução da violência é tema bem mais complexo e transcende a simplista redução da maioridade penal. Todavia, devo ovacionar aqueles que são contra a realização da Copa do Mundo no Brasil. Para um país que se sustenta por meio de maquiagens fiscais e populismo em pronunciamentos oficiais, Copa do Mundo e Olimpíadas são decerto devaneios hiperbólicos. Estou convicto de que o papa não trará milagres na bagagem.
por Draylton Tavares
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Acompanhar a política brasileira através dos telejornais, dos impressos e das diversas mídias disponíveis soa como uma grande perda de tempo, pois assim como o mercado é tudo efêmero, vem o escândalo da vez, abala as estruturas, todos os cidadãos se tornam grandes entendedores da conjuntura econômico-política, opinam, manifestam sua insatisfação, se revoltam e olham para o próximo corrupto que deverá ser atacado pela mesma opinião relâmpago, pelos mesmos peritos em pensamento político. Incrível que se for perguntado no último quais os fatos mais relevantes dentro do Brasil dificilmente será possível enumerá-los sem consultar o Google, se fosse realmente importante saberíamos pelo menos por cima os acontecimentos decisivos no cenário nacional.
Falo disso, pois estava lendo umas matérias na web e dei de cara com uma nota de rodapé sobre a transposição do São Francisco, fato de dois anos atrás, ou um pouco mais. As obras estão paradas, como era de se esperar, por diversos motivos, as construtoras dando calote nos comerciantes locais, abrindo contas para hospedagem e alimentação sem o pagamento, mecânicos do interior consertando máquinas sem receber, o dinheiro chegando atrasado do governo, ou não chegando e diversas outras mazelas. Não precisa pesquisar muito para perceber que eram acertadas as reclamações dos manifestantes contrários às obras, estava claro o cunho eleitoreiro dessa transposição, milhões de trabalhadores, agricultores e interioranos sedentos, precisando da água para a manutenção de sua atividade e do outro lado ricos empresários desejosos de colocar as mãos nessa fortuna liberada pelo PAC, todo mundo ia ganhar, cada um a seu modo. Atualmente está orçado em R$ 8 bilhões o valor de algo previsto em R$ 4,5 bilhões.
É uma moda ultrapassada a transposição do São Francisco, apenas um ou outro lembrando desse fato. Qual será a moda deixada para trás? Feliciano? Mensalão? Só é acompanhar os grandes jornais junto com a novela das oito e saberemos facilmente.
por Draylton Tavares
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Minha cidade hoje vive um problema novo, antigo para lugares como São Paulo, a mobilidade, o deslocamento de um lugar a outro da cidade. O prefeito eleito está tentando resolver essa situação consolidando políticas de governantes anteriores e criando novas ideias que talvez possam ser aplicadas e auxiliem no lá e cá desse um milhão e meio de recifenses e adjacências.
Para quem não conhece como funcionam as coisas por aqui vou criar um cenário baseado no que vejo no dia-a-dia de minha circulação. Temos uma linha de metrô que cobre de leste a oeste o trajeto intermunicipal, porém já está além da capacidade há muito tempo. Pela manhã, no horário de pico, é impossível você entrar no primeiro trem que vem, a menos se tiver o porte físico e a resistência de um Rambo ou Bradock, o esfrega esfrega e mal cheiro são constantes, na volta, às dezoito horas, é do mesmo jeito, porém com o mal cheiro mais forte. Nas ruas não há condições, os carros e ônibus se estapeiam pelos espaços das estradas, quem vive em cidade superlotada de veículos deve saber como é, quem não conhece reze para não descobrir na prática. Há um sistema de integração metrô-ônibus bastante funcional fora dos horários de pico, mas enquanto há a necessidade de se chegar ao trabalho o desconforto é igual ao dos trens, porém pode-se abrir as janelas para o ar circular e aliviar um pouco a situação.
Agora que já conhece o cenário vou lhes apresentar o problema: atualmente nosso prefeito está terminando a reforma dos terminais de integração e a pretensão é reduzir o número de ônibus no centro da cidade da seguinte forma: os ônibus que anteriormente iam dos subúrbios diretamente para o centro passarão a levar os passageiros até as estações de metrô e de lá os usuários deverão seguir via trem para estações que os levarão ao centro ou a outras regiões periféricas da cidade. Para quem não vive aqui a visão de desocupar o centro de transporte público pode até soar boa, pois assim haverá mais velocidade no transporte de um canto a outro, mas já não há espaço nos trens para os usuários habituais, quanto mais os novos que serão forçados a colocar o metrô em seu itinerário.
Algo saltando a nossos olhos é a visão dos administradores públicos voltada exclusivamente para detentores de veículos particulares, pois possuirão maior espaço para se deslocarem, enlatando ainda mais os usuários dos transportes “públicos”. A atual visão de mobilidade urbana dentro da Região Metropolitana do Recife volta-se para o particular, individual, esquecendo-se da massa obrigada a usar o transporte coletivo, já inseguro, superlotado e sucateado. Estamos longe de uma boa solução.
por Draylton Tavares
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Resolvi deixar para o último instante a minha coluna de hoje, pois como combinado devo postar sempre às segundas-feiras e isso está acontecendo, no último momento possível, às 23:59, último minuto do dia, da noite, que seja, mas faço isso não por irresponsabilidade, ou por falta de tempo, ou por esperar a melhor hora, faço porque imito o exemplo de quem nos governa, adiando até a última hora, até o momento decisivo aquilo que poderia ser feito com largo espaço de tempo e assim um planejamento adequado, uma visão capaz de detectar erros, falhas, imprecisões, superfaturamentos.
É lamentável nós também reproduzirmos esse tipo de comportamento desrespeitoso atrasando em nossos compromissos diários, desde coisas banais como chegar na hora num encontro marcado com nossos amigos, até coisas mais sérias, como atrasar o planejamento de um projeto responsável por destinar verbas para setores importantes da sociedade, pois sei que mesmo dentro de corporações privadas há projetos voltados para o social, visando o lucro, mas há.
Então porque reclamamos de nossos governantes se agimos da mesma maneira? Se tornou típico em nosso país manter o atraso em obras públicas, manter a ineficiência quanto a cumprimento de prazos, preços, responsabilidades. Aceitamos esses comportamentos das classes administrativas porque gostamos dessa demência no agir e no pensar. É mesmo? Sério? Então devemos rever como tratamos os horários de nossas agendas, de nossos compromissos para depois questionar, ou agir, em relação a quem manda, oficialmente, em nós.




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