jan 2012 16

por Guilherme Freitas
politica@blogdacomunicacao.com.br

A ação da Polícia[bb] Militar na Cracolândia deu início a campanha eleitoral para a Prefeitura de São Paulo deste ano. De um lado, os defensores da ação do governo do estado e do outro a oposição e alguns candidatos que ainda vislumbram com o apoio do prefeito Gilberto Kassab (PSD) para o pleito de outubro. Os tucanos saíram em defesa da operação. O governador Geraldo Alckmin visitou a região do centro da capital e afirmou que a presença policial continuará por lá. Pré-candidatos do partido, Bruno Covas, José Anibal, Ricardo Trípoli e Andrea Matarazzo, defenderam a ação da PM e do governo estadual alegando que já era da polícia agir para preservar o centro da cidade. Os tucanos pretendem usar as críticas da oposição na propaganda eleitoral para a Prefeitura.

Haddad criticou a ação da PM na Cracolândia - Crédito: Divulgação

Do outro lado os petistas criticaram a ação da PM. O virtual candidato do partido, Fernando Haddad, afirmou que a operação “foi desarticulada e desastrada, já que o governo não levou em primeiro lugar a questão da saúde pública”. Em novembro de 2011 durante os protestos de estudantes na USP, ele já havia afirmado “que não se pode tratar a USP como se fosse a Cracolândia e a Cracolândia como se fosse a USP”. Além de Haddad, os tradicionais partidos de esquerda PCO, PSTU, PSOL e PCB criticaram a ação.

E ainda há a turma que ficou encima do muro. Celso Russomano (PRB), Gabriel Chalita (PMDB) e Soninha (PPS) são pré-candidatos a sucessão este ano e também criticaram a operação policial, mas procuraram não serem agressivos porque ainda vislumbram um apoio do PSD de Kassab. Como podemos ver a guerra está travada e os pré-candidatos já começaram a bater boca. Talvez seja este o reflexo da campanha eleitoral: acusações demais e poucas propostas para a cidade. Já nós paulistanos só lamentamos…

jan 2012 10

por Guilherme Freitas
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Em outubro serão disputadas eleições municipais em todo o país. É a hora dos brasileiros escolherem os mais de 5 mil novos prefeitos e os quase 60 mil vereadores que estarão no poder nos próximos quatro anos. Em muitas cidades, alguns candidatos tentarão a reeleição, como no Rio de Janeiro, por exemplo, onde Eduardo Paes (PMDB) busca mais um mandato. Em outras haverá caras novas, como em São Paulo[bb] onde Fernando Haddad (PT) disputa sua primeira eleição. Já em alguns municípios, teremos políticos que já ocupam um cargo público na disputa eleitoral. São os deputados federais e senadores que prometeram uma coisa e farão outra.

Uma matéria do jornal Folha de S. Paulo publicada na última segunda, dia 9 de janeiro, mostra que 1/5 dos congressistas têm intenção de trocar seus atuais cargos por alguma prefeitura. Segundo a reportagem são 127 deputados e seis senadores que tem em mente concorrer na próxima eleição. Alguns para mudar de ares, outros com aspirações políticas e outros apenas visando o “gordo” salário de um prefeito. Trata-se de um verdadeiro tapa na cara do cidadão brasileiro. Estes mesmos senhores que durante o pleito de 2010 pediram votos e prometeram trabalhar em prol do país, agora visam largar suas responsabilidades com algum suplente para tentar um novo cargo político.

Pré-candidato a prefeito, o deputado Gabriel Chalita quer trocar Brasília por São Paulo – Crédito: Divulgação

Infelizmente a lei eleitoral é muito frouxa. A presidente Dilma Rousseff fará em breve uma reforma ministerial e trocará alguns membros de seu governo. Bem que ela também poderia fazer uma pressão para outra reforma ocorrer: na lei eleitoral. Não podemos mais tolerar esse descaso com os cargos públicos, porque não há comprometimento algum dos políticos com a função que ocupam. Em todos os anos de eleição, alguns se licenciam do seu cargo para disputar uma eleição. Se são derrotados voltam para sua antiga função.

E isto está errado. Se o político deixou seu cargo deveria perder o direito de exercer seu mandato, simples assim. Desse jeito, pensaria muito bem antes de se aventurar numa nova eleição e trataria seu cargo com mais responsabilidade. Mas isso não é um luxo dos congressistas, pois já ocorre ao contrário também. Veremos muitos vereadores eleitos tentando uma vaga na Câmara dos Deputados em 2014. Pelo bem da política nacional esta farra deve terminar. Senão os nossos nobres políticos não poderão reclamar quando os acusamos de usarem a política unicamente pelo viés pessoal…

dez 2011 05

por Guilherme Freitas
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E caiu o sétimo ministro do governo Dilma. Após semanas de denúncias o ex-titular da pasta do Trabalho, Carlos Lupi (PDT) perdeu o cargo. Primeiro surgiu na revista Veja uma reportagem onde assessores do ministro foram acusados por dirigentes de ONGs de cobrar propina. Convocado para depor sobre o caso ele deu declarações contraditórias e ainda soltou um “Eu te amo presidente Dilma”. Depois foi a vez do jornal Folha de S. Paulo divulgar que Lupi acumulou dois empregos públicos, sendo funcionário fantasma da Câmara dos Deputados por quase cinco anos.

Lupi pediu demissão no último domingo, dia 4 de dezembro, após uma reunião com Dilma. Ele divulgou uma nota apontando a “perseguição política e pessoal da mídia” e a “condenação sumária” da Comissão de Ética da Presidência da República como fatores chaves para sua demissão. O ex-ministro afirmou ainda que não teve chances de se defender das acusações. Por fim disse que sua demissão é uma forma de evitar que “o ódio das forças mais reacionárias e conservadoras deste país contra o trabalhismo”. Paulo Roberto Pinto assumirá a pasta como interino até a presidente definir o sucessor de Lupi no governo.

O ex-ministro do Trabalho, Carlos Lupi - Crédito: Divulgação

Antes de Lupi, outro cinco ministros caíram por denúncias de corrupção: Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo[bb]), Antonio Palocci (Casa Civil) e Orlando Silva (Esportes). Nelson Jobim (Defesa) saiu após criticar publicamente a presidente e elogiar José Serra, que perdeu a eleição para Dilma ano passado. A “faxina” que Dilma vem fazendo poderia ser mais bem feita. É claro que existem mais casos de corrupção nos demais Ministérios, mas pelo seu perfil Dilma dificilmente irá atrair holofotes para seu governo. Ela pode mandar para casa alguns ministros na reforma ministerial ao fim do primeiro ano de mandato.

A presidente irá fazer nesta virada de ano algumas mudanças em seu corpo ministerial. Além dos sete ministros que deixaram o governo, outros estão ameaçados de perder o emprego. Entre os cotados para deixarem o governo está Mário Negromonte do Ministério das Cidades. Ele também já foi acusado de corrupção em sua pasta e chorou publicamente. A verdade é que o Brasil[bb] conta com 37 Ministérios, um exagero, e alguns deles irrelevantes como dos Assuntos Estratégicos, do Desenvolvimento Agrário e da Igualdade Racial, que poderiam ser alocados em outras pastas ou simplesmente serem extintos. Mas Dilma sabe que se mexer demais no vespeiro de cargos públicos vai perder apoio e prestígio com os partidos aliados. E sem apoio, político nenhum consegue fazer um bom governo.

nov 2011 21

por Guilherme Freitas
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Na semana passada o ex-deputado federal e candidato a presidência da República, Ciro Gomes, concedeu uma boa entrevista para o site UOL e para o jornal Folha de S. Paulo. O político cearense afirmou que o PSB (partido ao qual esta filiado), deveria começar a pensar em vôos solos. Ciro afirma que o partido da base aliada não pode continuar sendo apenas um coadjuvante do PT. “O PSB vem crescendo e vai contrastar, nesse mesmo espaço com a hegemonia do PT”, disse na entrevista. Com já disse certa vez neste blog, a oposição ao governo Dilma e ao Partido dos Trabalhadores pode vir de dentro da base aliada em 2014.

A fala de Ciro soa como um alerta para o PT, no governo do país desde 2003. Para se manter no cargo a sigla manteve sua clássica parceria com o PC do B e PDT, mas fez alianças consideradas contraditórias para sua história, como por exemplo, com o PMDB. Possivelmente fará outra aliança que não agrada a todos dentro do partido: com o recém-fundado PSD nas eleições municipais de 2012. A tática do PT não agrada Ciro. Ele diz que o Partido Socialista Brasileiro será “o próximo partido a ser liquidado pelos petistos caso não busque um caminho próprio”. Em outras palavras, o PSB deveria romper com o PT, tornar-se independente na Câmara e Senado e trabalhar para lançar um candidato em 2014. Mas quem seria este candidato?

O ex-deputado federal, Ciro Gomes - Crédito: Divulgação

“Hoje eu sou o mais forte, mas o Eduardo Campos tem potencial para me superar”. Na visão de Ciro, o PSB tem dois nomes fortes para disputar a presidência em 2014. Ele próprio, que tem visibilidade nacional, experiência e já se candidatou outras duas vezes (1998 e 2002). O outro nome é o governador de Pernambuco, Eduardo Campos que ano passado se reelegeu no estado com quase 80% dos votos, tornou-se um dos grandes políticos do Nordeste e é neto de Miguel Arraes, ex-governador do estado. Lembrando que este ano o PSB escalou Campos para programas eleitoras para todo o país. Além deles ainda há Renato Casagrande e Cid Gomes, que poderiam sonhar com uma candidatura.

Como podemos ver a hegemonia do PT incomoda seus aliados. Nanicos como PC do B e PDT não tem força para forçar uma queda de braço, mas o PSB (em franca ascensão nacional) e o PMDB (um gigante) não aceitaram tudo que o partido de Lula manda. Com uma oposição fraca e muitas vezes banal (PSDB, DEM e PPS), é cada vez mais provável que a nova oposição venha de dentro do governo. Em 2014 Dilma provavelmente buscará a reeleição e terá que se equilibrar para agradar os dois aliados mais poderosos. O PSB não quer ser coadjuvante e alça vôos mais altos. Já o PMDB todos nos conhecemos: governa sempre com quem esta no poder. Um problema a mais para Dilma já ir pensando em resolver nos próximos três anos caso queria estar mais um mandato a frente da República.

nov 2011 14

por Guilherme Freitas
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A presidente do Brasil, Dilma Rousseff - Crédito: Antonio Cruz/ABr

Na edição do último domingo, dia 13 de novembro, a Folha de S. Paulo publicou uma matéria bem interessante de página dupla sobre o perfil “pavio curto” da presidente Dilma Rousseff. A reportagem mostrava broncas em reuniões fechadas e depoimentos de membros do governo, que confirmam esse “estilo explosivo” da presidente. É uma mudança radical para quem estava presente no governo Lula[bb] (2003-2010). O ex-presidente também dava broncas, porém era muito menos enérgico nos pitos e adorava fazer reuniões com amigos.

Dilma por outro lado mostra-se muito mais workaholic. É centrada nas reuniões e focada no trabalho. Lê contratos e projetos de lei nos mínimos detalhes e não gosta de enrolação. Quando duvida de um auxiliar ou assessor, coloca esta pessoa em uma sabatina para testá-lo. Nem ministros escapam da fúria da presidente e muitos já ficaram abalados e furiosos com as broncas de Dilma. Segunda a Folha, três pessoas que trabalhavam na Presidência pediram demissão por não suportar a pressão. Fontes ouvidas pelo jornal afirmam que ela acabou com uma tradição do ex-presidente: as festas juninas na Granja do Torto, que reuniam várias figuras políticas. Este ano não rolou festinha…

Como podemos ver, Dilma tem um perfil muito diferente do ex-presidente Lula, seu guia e tutor. O estilo pavio curto de Dilma rendeu vários quadros humorísticos, como um no Kibe Loco. O curioso é que a presidente acha graça quando assiste a esses programas. Técnica, ela não admite erros e gafes cometidas por membros do governo. Trata-se do perfil ideal para um presidente da República.

out 2011 17

QUEM NÃO DEVE NÃO TEME2

Escrito por João Paulo Denófrio | Postado em Política | Tags: , , , ,

Por João Paulo Denófrio

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Foi a vez do ministro dos Esportes, Orlando Silva, ser apontado pela revista Veja como integrante de um suposto esquema de corrupção na pasta. Ele foi pego de surpresa lá em Guadalajara, no México, enquanto acompanhava o comitê brasileiro. Ficou irritado e negou envolvimento com o caso, mesmo assim, o ministro teve que voltar às pressas para Brasília a fim de dar explicações exigidas pela presidente Dilma Rousseff, antes que ela embarcasse em uma viagem oficial à África.

De acordo com a revista, o suposto esquema teria desviado cerca de R$ 40 milhões dos cofres públicos. O montante teria sido desviado do repasse de verbas do programa para organizações não-governamentais.

Ministro dos Esportes, Orlando Silva, nega envolvimento em suposto esquema de corrupção - Crédito: Agência Brasil

 Orlando Silva pediu que a Polícia Federal investigue as denúncias, colocando-se no ditado “quem não deve não teme”.  Dilma exigiu que o ministro acompanhe as investigações e deixe tudo às claras.

 

Com a manobra, Orlando Silva ganha tempo no cargo, mas o medo de mais uma queda ministerial ainda ronda o Palácio do Planalto. Isso porque a oposição já se movimenta. O PSDB quer uma ampla investigação sobre o suposto esquema de corrupção no ministério dos Esportes. Cinco ministros já caíram desde a posse da presidente em janeiro desse ano.

 

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