set 2010 01

por Leandro Pereira
entretenimento@blogdacomunicacao.com.br

Na semana passada publiquei um artigo onde critiquei de forma veemente algumas declarações que o cantor Roger, da banda Ultraje a Rigor[bb], concedeu ao jornal Estado de Minas sobre o público jovem há algumas semanas atrás. Percebi que os leitores se manifestaram e o próprio cantor usou o espaço dos comentários para esclarecer seu ponto de vista. Concordo que a intenção do artista não foi a de magoar os fãs, de se colocar como alguém superior ou ser excludente e sim ser franco a respeito dos próprios sentimentos. O que chamo a atenção é para o fato de que precisamos ter cuidado no uso da palavra quando somos entrevistados e penso que o cantor precisa ser mais cuidadoso com o que diz. Não apenas ele, mas todos nós.

O cantor Roger, do Ultraje a Rigor – Crédito: Divulgação

Explico-me: numa conversa particular com um amigo, uma pessoa querida, numa situação onde o interlocutor nos conhece eventualmente dizemos coisas que ferem a sensibilidade do outro e que acabam por nos comprometer diante daquele que amamos. Nesse caso voltamos a ele e pedimos desculpas. Redefinimos a relação. O que é diferente quando falamos num palco para um grande número de pessoas, na imprensa, onde alguém ali está gravando e vai reproduzir o conteúdo. Nem sempre nos é possível revogar o que foi dito e as consequências que nossas palavras podem trazer são perigosas. O objetivo do meu texto foi suscitar um debate a respeito da atenção que qualquer um de nós deve ter com o que torna público e o mote foi a entrevista do líder do Ultraje.

Pelo que percebi a crítica foi útil e suscitou um debate saudável e interessante. A humildade do artista em ler e se colocar mostrou que ele está aberto para o diálogo e para a relação com os fãs e tenho certeza de que sua música ainda nos ajudará muito na construção de um país melhor e mais justo culturalmente.

E não deixem de ouvir o poema “Entrevista” que está no site do poeta Affonso Romano de San’tanna, na voz de Tonia Carrero. Fala sobre comunicação.

ago 2010 25

por Leandro Pereira
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O disco “Nós Vamos Invadir tua Praia” lançou em 1985 a banda Ultraje a Rigor e abriu portas para outras bandas de São Paulo que estavam distantes da grande mídia, concentrada no Rio de Janeiro onde estavam situadas a Rede Globo e as gravadoras. O álbum foi de grande sucesso na época e praticamente as onze faixas do disco tocaram no rádio. Roger, vocalista da banda, se consagrou como talentoso músico e compositor. É também possuidor de uma inteligência acima da média. Ele aprendeu a ler aos três anos de idade e aos oito começou a tocar violão. A música criada por Roger no Ultraje é de um humor inteligente e melodia que envolve. O problema é que se por um lado o cantor esbanja talento e conquista prestígio como artista, pelo outro é um arrogante intelectual e suas declarações comprometem seriamente sua carreira.

Quem leu, por exemplo, a entrevista que Roger concedeu ao jornal Estado de Minas no domingo retrasado, dia 15 de agosto, conduzida pela jornalista Thaís Pacheco, sabe exatamente do que estou falando. Thaís estava brilhante, as perguntas bem elaboradas davam ao leitor uma visão panorâmica do cenário musical na década de 1980. O cantor é que com falas impertinentes e preconceituosas dava para a entrevista um aspecto desagradável e indigesto. Entre uma fala e outra ele declarava “Quando eu digo a gente somos inútil (sic) somos eu e você. Hoje não posso falar de nós por que seria nós quem? Eu e o público somos diferentes”. E pior: “Tem gente que começou a curtir o Ultraje depois do acústico, mas meu público, de quando eu comecei está com a minha idade. Eles já não querem ir a show de rock. A gente se sente meio deslocado com essa diferença de idade”.

Roger, o vocalista do Ultraje a Rigor – Crédito: Divulgação

Fico pensando no quanto é lamentável ver um líder de uma geração se expressar com tanta desconsideração e desdém para com aqueles jovens que lotam seus shows e compram seus discos. Pior ainda é ver esse mesmo líder fechando as portas para uma interação maior com novas gerações que podem fazer com que sua música continue viva e atual sendo referência para o surgimento de novas bandas e novos compositores. Se as coisas continuarem nesse no rumo em que elas estão talvez esse seja o ocaso do Ultraje a Rigor[bb]. Um artista que se sente deslocado com a platéia não faz shows, em tempos de pirataria é pouco provável que a banda sobreviva apenas com direitos autorais.

Esse não é o desejo de nós que amamos aquela música debochada, inteligente, irreverente. Esperamos, sim, que Roger se retrate ampliando seus horizontes e conquistando novos espaços.

ago 2010 17

Exposição de fotografias em Londres mostra a história do voyeurismo. - Crédito: Weegee (Arthur H. Fellig).

Por Henrique Oliveira
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Certamente muitos de nós, algum dia,  paramos para pensar em como seria a nossa vida se não fôssemos quem somos. Se fossemos outra pessoa; se nascêssemos em outra família; se fizéssemos outros amigos, como seria? Eu me arriscaria a dizer que o fascínio pelo desconhecido faz parte da natureza humana. A busca pelo que não somos  muitas vezes nos guia. A busca por este “ser de fora”, por esse “outro” que faz com que, em inúmeras ocasiões, modifiquemos a nossa forma de enxergar e, até, de agir. Transcende um mero fetiche e adentra no terreno daquelas características que vem à baila para escancarar a todos o quão complexos podem ser nossos instintos. Somos, de fato, fascinados pelas imagens projetadas que mcriamos dos outros – por aqueles nossos semelhantes tão distintos, que mesmo tão perto parecem estar tão longe.

Essa “busca” humana está uito bem cristalizada nas tendências voyeuristas que temos no nosso cotidiano: aquela conversa que você finge não prestar atenção, mas, no fundo, escuta melhor do que o verdadeiro ouvinte. Aquele grupo que observamos atentamente de longe e que absorve inexplicavelmente nossas atenções, tudo isso é um pouco do que somos. Nós buscamos os outros o tempo todo, e insistentemente. Temos curiosidade por suas vidas, queremos saber o que é ser o que está fora, queremos chegar ao que não nos pertence.

É por isso – por pensar costumeiramente por esse “instinto” – que o homem produziu diversas representações dessa sua “perseguição” ao outro. A exposição Exposed: Voyeurism, Surveillance and the Camera (Exposto: Voyeurismo, Vigilância e a Câmera) montada na famosa galeria inglesa Tate Modern, por exemplo, trás cerca de 250 imagens voyeuristas de artistas conceituados. Só para citar alguns, temos nomes como Brassaï, Guy Bourdin, Henri Cartier-Bresson, Walker Evans, Robert Frank, Nan Goldin, Dorothea Lange, Lee Miller, Thomas Ruff, Paul Strand, Weegee, Garry Winogrand.

Pelas lentes desses artistas, imagens que vão desde o fim do século 19 até os dias atuais mostram o quanto a intenção de descobrir a vida, os desastres e os segredos dos outros esteve presente em nossos desejos e paixões: “a exposição conduz o visitante por imagens da guerra civil americana, de plataformas de petróleo em chamas na primeira guerra do Golfo, de uma execução na China em 1860, de à câmara de execução de uma moderna penitenciária no Mississippi, entre outras imagens de sexo, morte e inocentes flagrantes de pessoas famosas” (Fonte: BBC Brasil). Vejam algumas imagens que estão na exposição:

Autor: Georges Dudognon

Autor: Ron Galella

Autor: Harry Callahan

Autor: Georges Dudognon

Em outras palavras, a exposição acima mostra que o voyeurismo é muito mais do que mera curiosidade. Ele remonta um traço da nossa maneira de encarar o outro. Na época da internet, onde as imagens proibidas têm terreno fértil para se reproduzir, os fotógrafos clássicos, adorados por toda uma geração pretensamente pudica, voltam nessa exposição para mostrar que, desde sempre, estivemos com os nossos olhos mirados para a janela do vizinho. Sempre fomos voyeuristas!

Talvez isso possa explicar o porquê de nos entregarmos tanto aos conteúdos estéticos exibicionistas que inundam todas aquelas “pseudo-formas” culturais patrocinadas pelos nossos meios de comunicação e pelas poderosas indústrias do entretenimento. Afinal, o seria dos realities shows se não fosse essa nossa tendência a espiar a vida alheia ?

ago 2010 07

Por Maísa Capobiango

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Cena de "Escrito nas Estrelas" - Crédito: Reprodução

Parar pelo menos uma hora do dia e sentar em frente a um aparelho de televisão para assistir um capítulo de novela pode ser considerado, por muitos, perda de tempo, falta de o quê fazer e por aí vai. Mas, não dá para negar que, por “Escrito nas Estrelas” vale a pena “perder” esse tempo e apreciar uma trama com qualidade que há muito tempo não se via.

“Escrito nas Estrelas”, de Elizabeth Jhin, estreou em abril e, desde então, vem garantindo telespectadores fiéis, resultando numa média de 28 pontos* a cada capítulo, índice que há anos a Rede Globo não registrava no horário das 18h. A história de amor de Ricardo (Humberto Martins) e Viviane (Nathalia Dill), que tenta ser impedida pelo espírito de Daniel (Jayme Matarazzo) caiu no gosto do público

A trama conquistou telespectadores das mais diferentes religiões (inclusive as que não acreditam na vida após a morte). Além disso, aproxima o público abordando temas como a mulher inconformada com a separação e o ex-marido falido que volta para casa. Isso, sem falar no lado cômico das “vilãs” Sofia e Beatriz (Zezé Polessa e Débora Falabella) e do impagável Gilmar (Alexandre Nero).

“Escrito nas Estrelas”, mais do que um sucesso, é também uma história de superação da autora, que não foi bem com “Eterna Magia”(2007). É pena que nossa novela já esteja na reta final – o último capítulo está previsto para ir ao ar no dia 24 de setembro. Já dá pra sentir aquele gostinho de quero mais.

*Cada ponto no Ibope equivale a cerca de 60 mil domicílios na Grande São Paulo.

ago 2010 06

Por Isabela Fonseca

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Cenas do filme ''Tudo pode dar certo'' de Woody Allen

Allan Stewart Konigsberg nasceu em 01 de dezembro de 1935, e desde sempre se envolveu no mundo do entretenimento. Aos 15 anos escrevia para colunas de jornais e participava de programas de rádios. Suas obras abordam assuntos envolventes, como relacionamentos e complicações, suas histórias na maioria das vezes são urbanas (filmadas na famosa Big Apple, ou Nova York), utiliza-se de efeitos cômicos que exploram, na maioria das vezes, neuroses de pessoas que podem ser definidas como ‘’problemáticas’’. Alguns dizem que suas obras são simplistas e desinteressantes.

Mas após assistir Whatever Works, dirigido e produzido por ele, Woody Allen, percebe-se que não há nada de simples nas idéias exploradas. O filme baseia-se na história de Boris Yelnikoff, um judeu, hipocondríaco, extremamente pessimista, que vive sozinho (divorciado) e praticamente sem amigos.

Durante o filme, o personagem dirige-se a nós (a platéia) e o filme começa com a frase hilariante: “And just so you know, this is not the feel good movie of the year. So if you’re one of those idiots who needs to feel good, go get yourself a foot massage.” *

Sua vida muda ao encontrar a jovem Melodie Celestine nas escadas de seu apartamento, a típica caipira, sem estudos, e muitos atrativos aos olhos de Boris, mas que precisa de ajuda, e ele, contra sua vontade, aceita a garota em sua casa, ‘’temporariamente’’ Mas eles acabam casando-se e então a trama desenrola-se, com as famosas ‘’tiradas’’ de Allen infiltradas nas frases de Boris.

O filme passa a idéia de que tudo pode dar certo e você precisa viver, sofrer, sorrir e sentir tudo o que for possível. Às vezes, isso pode ser ruim vendo por outra perspectiva, mas precisamos desses momentos. Simplesmente, VIVA sua vida e deixe as coisas seguirem seu percurso, como Allen diz, Whatever Works.

Woody Allen

 Assista ao trailer e vá ao cinema, tenho certeza que você não irá se arrepender.

Whatever Works

 * “E só para você saber, esse não é o melhor filme do ano para fazer você se sentir bem. Então se você é um desses idiotas que precisa sentir-se bem, vá fazer uma massagem nos pés”

ago 2010 06

por Guilherme Freitas
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Há quase 16 anos um desenho japonês era um fenômeno de audiência. Os Cavaleiros do Zodíaco[bb], anime da Toei Animation era o grande sucesso da TV brasileira, conquistando os corações de milhões de crianças pelo país e levando a extinta TV Manchete a bater recordes no Ibope. As aventuras de Seiya, Shiryu, Shun, Hyoga e Ikki defendendo a Deusa Athena e o mundo contra as forças do mal, tornou-se febre no Brasil no final dos anos 1990. Bonecos, álbum de figurinha, fantasias e dezenas de outros produtos foram lançados. E hoje, eles voltaram às telas da TV.

Os cinco protagonistas do anime – Crédito: Reprodução

A Band, que já havia transmitido a animação entre 2003 e 2005, voltou a exibir o desenho todas as manhãs, dentro do programa Band Kids. O anime vai ao ar de segunda a sexta a partir das 8h15 e aos sábados as 13h40 para todo o Brasil. Além dos antigos episódios, a emissora transmitirá a última saga do desenho, A Saga de Hades, que foi lançada apenas em DVD no Brasil. Cavaleiros do Zodíaco foi o maior sucesso dos animes japoneses transmitidos no Brasil.

E na Terra do Sol Nascente o desenho continua em alta. Ele foi lançado lá em meados dos anos de 1980, mas até hoje é adorado pelas novas gerações. Nos últimos anos além da saga que encerra a história dos Cavaleiros, foram lançados novos bonecos, um filme para o cinema (exibido no Brasil em 2007), novos mangás[bb], os gibis japoneses, e uma nova série de TV sobre os antigos cavaleiros (veja o vídeo abaixo).

Deixo aqui um comentário pessoal, eu era uma das muitas crianças fanáticas pelo desenho. Tinha bonecos, não perdia um episódio, comentava no colégio com os amigos e colecionava a saudosa Revista Herói. Considerado violento, devido ao sangue em excesso e lutas, o desenho era ao mesmo tempo educativo. Mesclava mitologia grega com a astrologia, já que cada cavaleiro representava uma constelação. Através do desenho passei a gostar mais de história (adoro mitologias de tudo quando é tipo e tenho muito material em casa). E é sempre bom poder rever às vezes memórias da sua infância.

Mate a saudade e veja a clássica abertura dos Cavaleiros do Zodíaco:

Imagem de Amostra do You Tube

Confira abaixo o trailer do novo desenho da Série dos Cavaleiros do Zodíaco: The Lost Canvas.

Imagem de Amostra do You Tube

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