por Guilherme Freitas
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Dos cinco presidentes da República ainda vivos três não disputam as eleições 2010: José Sarney (1985-1989) que tem mandato como Senador até 2014, Fernando Henrique Cardoso (1994-2002) que se afastou da política e Luís Inácio Lula da Silva (2003-2010) que encerra seu segundo mandato. Os outros dois estão em plena campanha por votos. Itamar Franco (1992-1994) tenta um mandato como Senador por Minas Gerais e Fernando Collor de Melo (1990-1992) retornar ao Governo de Alagoas pelo PTB.
Único presidente da história do Brasil a sofrer um impeachment, Collor tornou-se uma figura interessante. Após ser cassado e ficar inelegível por muitos anos, ele regressou com tudo nas eleições de 2006 ao conquistar uma vaga no Senado por Alagoas. Ele é uma espécie de anjo e demônio da política nacional. Odiado no sul e no sudeste do país, mas admirado no norte e nordeste, principalmente em Alagoas, onde exerce grande influência.
Recentemente, os jornais paulistas Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, publicaram diferentes reportagens sobre o Senador. A Folha acompanhou um comício de Collor no interior de Alagoas, onde ele tem público fiel e cativo. O Estadão também acompanhou um dia da agenda do ex-presidente e traçou um perfil do candidato. O povo humilde e mais pobre do estado vota em Collor e culpa “as pessoas do sul/sudeste” pela queda do político da Presidência. A elite local não morre de amores pelo petebista e deve ser oposição nesta eleição. Collor raramente fala com a imprensa paulista e ignora pedidos de entrevistas.
Prefeito de Maceió entre 1979 e 1982, deputado federal entre 1982 e 1986, governador do estado entre 1987 e 1989 e senador desde 2007, ele é visto como uma “figura nefasta” de Alagoas pela população do sul do Brasil, ao lado do Senador Renan Calheiros (PMDB). Heloísa Helena (PSOL) é a antítese, com certa simpatia dos sulistas. Eles não o perdoam pelos escândalos e erros de sua administração, afinal, apoiaram e votaram nele em 1989.
Na minha opinião, Collor era o cara errado no lugar errado. O Brasil passava por momentos difíceis e após muito tempo tinha eleições diretas. Precisava de um presidente mais experiente e mais preparado para lider com uma grande pressão. A elite, a imprensa e os empresários temiam Leonel Brizolla e posteriormente Lula. Collor foi a única saída para eles apoiarem e o resultado todos nós já sabemos.
De inimigo ferrenho de Lula, hoje ele é aliado e apóia efusivamente a candidatura da petista Dilma Rousseff. Ele tem site oficial de campanha (embora bem simples), perfil no Twitter, no Facebook e seus jingles fazem sucesso. Não se surpreendam se ele for eleito mais uma vez governador de Alagoas. E também não fiquem surpresos se Collor anunciar o desejo de voltar a presidência em 2014.
Confira abaixo um dos jingles da campanha de Collor:
Nasceu em São Paulo, no dia 5 de fevereiro de 1986, é jornalista formado pela UniFIAMFAAM, pós-graduado em Globalização e Cultura pela FESPSP e vegetariano desde os quatro anos. Trabalhou para as Nações Unidas em Nova York, é correspondente de imprensa da FINA (Federação Internacional de Natação) no Brasil e jornalista sênior na revista Swim Channel.
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