DA NATUREZA DA POLÍTICA7
Escrito por Henrique Torres | Postado em Política | Tags: corrupção, Henrique Torres, Política, Utopias
Por Henrique Torres
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Pretender falar da natureza ou da essência da política, objetivamente significa ser obrigado a falar da natureza dos nossos homens públicos, nossos políticos. Pretender falar da natureza dos políticos significa no limite, ter de tratar da natureza humana em geral. Tudo isso é muito singelo, muito trivial. O que se pretende aqui é apenas demonstrar (se é que isso já não é evidente) que todos os problemas políticos são essencialmente problemas humanos. Nada há acima, abaixo, além ou aquém disso. Podemos questionar então: Qual é a pretensão desta pretensão? Ela é simples para os com ideais mais realistas, e aterradora para aqueles mais utópicos. Não existe política sem corrupção e por indução, não existem políticos que não sejam corruptos.
A política não é possível sem corrupção. Ponderar sobre um Estado que se guie politicamente sem corrupção é pensar numa utopia. Vale salientar: aqui corrupção pode significar muitas coisas por que não toma por base nenhuma moral definitiva. Entretanto, para se aproximar de uma definição mais precisa do seu significado neste momento, pode-se considerar corrupção como qualquer tentativa ou empreitada por parte de um detentor do poder que vise o bem individual ao invés do bem público.
Definida a corrupção, vale explorar então o motivo que não permite que o homem, esse animal político, seja inteiramente integro. Em grande parte o motivo já foi dado, isto é, o político é corrupto por que o homem é corrupto, e por sua vez o homem é corrupto por que é da sua natureza. A demonstração deste fato é difícil. Mas é difícil não por que o fato do homem ser corrupto seja falso, mas por que este fato é quase um axioma, ou seja, uma verdade evidente por si mesma. É o que acontece com todos os fatos que justificamos pela natureza das coisas, por que simplesmente não pode haver contestação ou justificação da natureza.
Se isso não for suficiente, que se recorra então à história e que se demonstre o homem que agiu com uma integridade perfeita. Verificar-se-á infelizmente que este homem nunca andou sobre a Terra. Ou seja, que atire a primeira pedra aquele que nunca pecou contra o bem público e que este se torne rei, presidente, ou até deus.
Por fim, significa isso que a política está chegando a seu termo? Definitivamente não. Significa somente que os sonhos de uma política utópica estão ultrapassados. Significa que devemos encarar a política de maneira sóbria, olhar para a política e vê-la tal como ela é; uma simples ciência humana – e humana como sinônimo de imperfeição. Significa que devemos parar de sonhar com um país plenamente justo, com um governo em que ninguém vise seus próprios interesses ao invés do interesse do povo. Estamos todos inclinados ao erro. Contudo, tudo isso não significa que tenhamos que ser complacentes com a corrupção. Mesmo que ela seja um mal presente, nós devemos encontrar formas de inibi-la para que ela seja reduzida a um limite aceitável, controlável e com o qual consigamos conviver. Não é possível erradicá-la. Mas isso não pode nos levar a pensar que ela não deve ser punida. Dizem sempre que errar é humano e perdoar é divino. Não somos deuses. Somos homens; demasiadamente homens.













