nov 2009 04

Por Henrique Oliveira

meioambiente@blogdacomunicacao.com.br

Fonte: www.greenpeace.org

Fonte: www.greenpeace.org

Num ano marcado por intensos debates sobre os problemas ambientais que rondam o nosso planeta, a discussão acerca do aquecimento global ganhou grande fôlego. Isso porque os países desenvolvidos, por incrível que pareça, ainda não aceitaram totalmente a ideia de assumir sua maior responsabilidade no controle das emissões de gases de efeito estufa no mundo. E o Brasil (não esqueçamos dos nossos “quintais”), dono da maior floresta tropical do planeta, ainda não alcançou uma política para evitar as perigosas queimadas que enchem a nossa atmosfera com o famigerado CO2 (gás carbônico).

No entanto, em meio a tanta má vontade e letargia, o Banco Mundial divulgou um relatório onde passa uma visão até otimista para o nosso “futuro climático”: Segundo o balanço divulgado em meados de setembro, ainda poderemos reverter o processo de destruição atual, apesar dos altos (mas não impossíveis) investimentos. Em um artigo bastante ilustrativo publicado no portal “O eco”, a presidente do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas e doutora em educação ambiental, Suzana Pádua afirma que “o esforço prioritário deve ser em prol de energias limpas. Os países desenvolvidos, que emitiram as maiores quantidades de gases de efeito estufa no passado, são os que têm mais possibilidade de agir de maneira a garantir que o clima se mantenha estável no futuro. Já os países em desenvolvimento devem mudar suas práticas para aquelas que produzem menores emissões de carbono enquanto promovem desenvolvimento e redução da pobreza. Estes passos novamente dependem do apoio financeiro e técnico dos países ricos, como ressalta o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, quando ressalta: ‘Os países em desenvolvimento são afetados desproporcionalmente pelas mudanças climáticas – uma crise que não foi produzida por eles e para a qual estão menos preparados. Por esta razão um acordo equitativo é de importância vital’”.

Em outras palavras é preciso que o mundo se uma num esforço conjunto para que se mude toda essa conjuntura de degradação que nasceu do nosso capitalismo industrial. Não se pode mais pagar o preço do desenvolvimento com a degradação do nosso próprio meio. Todos os dias o planeta clama, em diversos lugares, por um socorro que parece nunca chegar. Para se ter uma ideia, a neve do monte africano Kilimanjaro (veja a foto), que antes se considerava eterna, segundo um estudo liderado pela pesquisadora Lonnie Thompson, da Universidade de Ohio (Estados Unidos), está derretendo gradualmente. Devido ás altas temperaturas e aos climas cada vez mais quentes, as neves do monte que fica a 5.800 metros de altura, segundo o estudo que será publicado esta semana no site www.pnas.org e depois na edição impressa da Proceedings of the National Academy of Sciences, podem desaparecer completamente em 20 anos.

Em 20 anos neve do Kilimanjaro pode desaparecer - Foto: www.oeco.com.br

Em 20 anos neve do Kilimanjaro pode desaparecer - Foto: www.oeco.com.br

Ou seja, o exemplo do kilimanjaro mostra que estamos sendo morosos com um assunto que demanda rapidez. Estamos beirando a um estado de emergência e isso não é mais um exagero! Os governos dos países desenvolvidos e em desenvolvimento precisam dar às mãos para conter os estragos que eles mesmos fabricaram. Afinal, quantas Amazônias teremos que queimar e quantos Kilimanjaros derreter, para que coloquemos a mão na massa?

set 2008 08

Por James Freitas

james@blogdacomunicacao.com.br

Certa vez, postei nesse mesmo espaço sobre as iniciativas de debates com a proposta de arquitetar um futuro melhor para todos os brasileiros. Pois bem, a lendária revista Veja, da editora abril reuniu na última terça-feira, 2 de setembro, 500 convidados em evidência nos cenários da política, econômica e cultura no seminário: “O Brasil que queremos ser”.

No evento marcaram presença o vice-presidente da república, José Alencar, além de diversos ministros do governo como a ministra Dilma Rouseff (Casa Civil), os governadores José Serra e Aécio Neves, o deputado federal Ciro Gomes e lideres das maiores empresas brasileiras, publicitários e estudiosos. Durante o dia de discussões e reflexões sobre o nosso país foram eleitas 40 propostas determinadas como primordiais para um país melhor. O periódico comprometeu-se a conferir por meio de reportagens especiais o grau de aceitação das propostas definidas no seminário, além disso, pretende realizar um teste de realidade, avaliando sua viabilidade e progresso. As propostas foram publicadas na edição 2.077 da revista. Pensei em colocar neste espaço as quarenta propostas sugeridas, porém, levando em consideração o governo e a burocracia brasileira, optei por mostrar que com pelo menos cumprindo ¼ das propostas apresentadas o Brasil tem tudo para mudar e ser um país melhor, confira algumas das propostas:

EDUCAÇÃO:

  • Choque de meritrocacia na educação – Em suma, propõe redefinir os metidos de premiação para os professores. A proposta é que promoções e aumento de salários aos professores seja feita em relação ao bom rendimento dos alunos.
  • Criar Currículos obrigatórios para a educação básica – Nos países que possuem os melhores ensinos é prioridade o uso dessa ferramenta para estabelecerem metas acadêmicas bem definidas e com isso gerar um ensino de mais qualidade.

MEIO AMBIENTE

  • Dobrar o saneamento básico em dez anosVocês sabiam que menos de 50% dos domicílios de todo o país estão ligados a rede de esgotos? Do total de domicílios ligados ao esgoto, apenas 35% recebem tratamento? E o restante? (perguntaria o internauta olha incrédulo ao ver esse dado) Bom, analise as condições do Rio Tietê e tirem suas conclusões.Para custear essa obras seriam necessários 12 bilhoes de reais por ano para em 2018 70% dos brasileiros terem saneamento básico, e com isso, darem trégua aos rios e lagos brasileiros que há tempos pedem SOCORRO.
  • Premiar Prefeituras pela Preservação ambientalO Estado do Paraná, atualmente premia os municípios que tem desempenho acima da média no tratamento de lixo e conservação das bacias hidrográficas. Com esse programa a área conservada aumentou doze vezes nos últimos dez anos.

ECONOMIA

  • REFORMA DA PREVIDÊNCIA – Vocês sabiam que os gastos da previdência em nosso país consome 12% do PIB? Façamos as contas, se nosso nobre governo federal diminuísse tal custo pela metade sobrariam aos cofres públicos mais de 180 bilhões de reais ao ano? Será que já passou da hora de iniciarem a reforma da previdência?
  • MODERNIZAR AS LEIS TRABALHISTAS – Com novas leis trabalhistas cria a expectativa de mais empregos formais e com isso mais gente contribuindo para a previdência, assim sendo, teríamos mais gente pagando menos e com isso o “bolo” ficaria maior.
  • PRIVATIZAR A GESTÃO HOSPITALAR – Chegamos num dos melhores pontos apresentados no seminário. Atualmente o governo federal gasta 400 reais por paciente internado no SUS. Em hospitais terceirizados o custo por cada internação é de 360. Por que não mudar? Com um modelo de privatização convincente o Brasil poderia pagar menos e ter uma saúde muito melhor do que atual.

DEMOCRACIA, RAÇA E POBREZA

  • PROFISSIONALIZAR A GESTÃO PÚBLICA – Em diversos estados isso é uma realidade em outros infelizmente não! A burocracia e técnicas arcaicas ainda assolam nosso glorioso país. Em contrapartida muitos estados hoje adotam modelos empresariais com orientação para resultados, flexibilidade e a recompensa do mérito. Falta o governo federal descobrir que isso já existe no Brasil…
  • INSERIR OS POBRES NO MERCADO DE TRABALHO – Resumindo: “Dar dinheiro é entregar o peixe. Cobrar a contrapartida é ensinar a pescar.” Programas como o Bolsa-família estimulam a acomodação e a corrupção pois atualmente a fiscalização é deficiente e as denúncias de irregularidades são muitas.

MEGACIDADES

  • COMBATER O TRÁFICO DE DORGAS COM REALISMO – É praticamente impossível erradicar o consumo de drogas não só no Brasil como no mundo. Porém, o ponto abordado pelo seminário, propõe diminuir a taxa de violência associada as drogas. A grande questão é fazer o “estado” retomar o controle nas favelas, devolvendo-as para os cuidados do poder público. Tenho minhas dúvidas quanto a realização dessa meta, acho que no caso do Rio de Janeiro, por exemplo, seria um Guerra urbana vitimando muitos inocentes
  • PLANEJAR O CRESCIMENTO – Utilizando o conceito de que planejar custa bem mais barato do que arrumar uma solução a curto prazo, o seminário propõe que as prefeituras estabeleçam o que pode ou não ser feito em termos de uso e ocupação do solo
  • TIRAR A MAJESTADE DO CARRO – Transporte coletivo de qualidade é o grande desafio no Brasil, e a melhor solução, sem dúvida, é o metrô.

 

Independentemente se a Veja é ou não uma revista tendenciosa, aplaudo de pé a iniciativa prestada pela editora Abril como marco de aniversário da revista com maior circulação nacional. Costumeiramente seria feito um jantar ou uma badalada festa para comemorar, mas eles foram diferentes e corretos ao optarem por fazer algo sério. Reuniram políticos importantes que tem grandes aspirações para um futuro não tão distante assim, em suma, eles serão os responsáveis pela direção do nosso país. Acho importante todas as personalidades do atual governo federal em conjunto com os governos estaduais e municipais proporem iniciativas como as apresentadas no seminário, agora cabe a nós, sociedade, buscarmos nossos direitos e cobrarmos ações.

*FONTE: Veja – Ed. 2077 – Setembro de 2008

www.veja40anos.com.br